Nas minhas férias de inverno, terminei o meu primeiro modelo de avião na 1/144, uma escala que aprecio muito e que recentemente fiz um artigo que pode ser lido aqui sobre a sua história e vantagens aplicados ao modelismo em papel.
Agora chegou a hora de demonstrarmos praticamente a viabilidade da escala, materiais e técnicas utilizadas.
O modelo escolhido para esse primeiro teste é um modelo gratuito de Paperdiorama, trata-se de um Ansaldo SVA-5, avião de caça/reconhecimento/bombardeiro italiano da I Guerra Mundial. A escolha deste modelo foi feita pela possiblidade de testar colagens de topo, rigging moderado, ele ter cockpit (possiblidade de cortar e manipular peças pequenas) além do famoso plano de Warren, que é uma característica de muitos aviões Italianos, em especial os fabricados pela Caproni nos anos 20 e 30.
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| Captura de Tela do site Paperdiorama com a página do Ansaldo SVA-5 |
Então sem mais delongas vamos demonstrar o trabalho aqui.
Primeiramente vamos falar sobre o papel. Muitos modelistas que lidam com essa escala ou menores (como Texman, Papermate e Jan Kytop, amigos do fórum Papermodelers) usam em geral papel 75lb ou 90lb para fazer os seus trabalhos, este papel no Brasil equivale ao Sulfite (Offset) entrte 90g a 100g, aquele papel de escritório com a folha mais reforçada, normalmente utilizada para impressão de apresentações e trabalhos acadêmicos.
Acabei optando após estudar um pouco em usar o mesmo papel que utilizo para os projetos 1/100: o sulfite ou então o opalina 120g, pois na 1/144 ele produz uma quina nas peças interessante que dependo do formato ou colagem pode funcionar com a ausência de abas de colagem (flaps) por colagem de topo.
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| O papel Opaline que uso de muitas marcas brasileiras, mas em especial esse da Off Paper, que encontro no comércio de Rua da minha cidade (especificamente nas papelarias do meu bairro) é um pouco mais caro, mas é um papel de apresentação excelente para impressões de modelos de alta resolução ou com texturas com efeito de profundidade e metalização. |
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| Papel Sulfite 120g em maço de 50 folhas, a linha da Chamex é uma dos meus favoritos, papel barato, com fibras muito compactadas e bom resultados de impressão principalmente para modelos vetoriais como os Scissors and Planes. |
Ao longo do trabalho essa escolha me pareceu acertada, o que me facilita a vida, por que o papel 120g é de fácil aquisição (encontra-se no Brasil até em supermercados maiores nas seções de papelaria, em lojas especializadas. fora e-commerces populares no Brasil como Shopee e Mercado Livre) e eu sempre tenho amplo estoque no meu estúdio.
Claro que separei papéis cartão entre 180g e 240g e alguns até mais grossos para trabalhos especiais e específicos de laminação (rodas, formes e outros elementos).
Escolhido o papel para impressão, tratamos de converter o arquivo para a escala desejada. Os modelos de aviões Paperdiorama estão na escala 1/64, para ganhar tempo se você não tem uma ferramenta instalada de conversão ou cálculo de escala eu recomendo esta calculadora de escala on line. A porcentagem foi aplicada diretamente no arquivo PDF, eu recomendo utilizar para imprimir a ferramenta Foxit Reader que é mais leve que o Adobe Acrobat e com interface mais amigável.
A impressão foi feita na minha velha Epson L120 bulk ink, cansada de guerra. a diferença ao imprimir é que ao ativar as opções avançadas de impressão selecionei qualidade extra para capturar o maior numero de detalhes da resolução (alguns se perdem numa escala tão pequena).
De posse da impressão, na escala correta, vamos falar dos materiais e ferramentas utilizados nesta iniciativa.
Colas: as mesmas utilizadas em trabalhos em outras escalas: cola PVA branca (eu particularmente gosto muito da Acrilex Artesanato, que é uma cola brasileira desenvolvida para manualidades), Cola polivinilica de contato ou universal (a minha favorita é a Uhu, mas ela anda difícil de encontrar, então uso esta equivalente brasileira Brascoart que custa 1/3 do valor) e cola de Cianocrilato (CA Glue) que aí pode ser da sua preferência, em geral eu gosto de utilizar a de média viscosidade da TekBond. Colas CA são utilizadas para gerar pontos de reforço na união de peças ou trem de pouso e struts.
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| Cola Branca PVA Acrilex, a minha favorita. |
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| Cola CA Tekbond de média viscosidade, é atualmente um das melhores CA no mercado brasileiro, embora tenham outras como a Almacola que gosto mais embora dificil de encontrar fora de e-commerces; |
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| Esta cola que custa o equivalente a USD$ 2,00 substitui perfeitamente a cola Uhu sem prejuízo com a mesma capacidade e tempo de secagem, o cheiro inclusive é praticamente igual. |
Ferramentas: Por incrível que pareça a ferramenta mais útil e dinâmica a ser utilizada na escala 1/144 e também é absolutamente descartável é o palito de dentes, ele serve para manipular, aplicar cola e até mesmo fornecer matéria prima para fabricação de pequenas peças torneadas se isso for necessário, Se quiser inovar ou especializar existem palitos mais finos e até mais compridos (como os utilizados para servir frios espetados), mas em geral o palito comum, atende 99% das necessidades. Pinças: fundamentais para manipular e dobrar pequenas peças e flaps, prefira aquelas que são utilizadas para fazer interlace de cílios femininos, em geral se encontram para vender em lojas de artigos de beleza ou então em e-commerces como os que indiquei acima. Estiletes, uso em geral estiletes de precisão como o "agulha" e um geral de Nº11 tipo X Acto ou MAXX ou então cirúrgico, uso uma lamina cega #11 também para produzir dobras. Luminárias com lente e lupa de pala, também são muito necessárias para não forçar os olhos com a lida de pequenas peças, eu uso mais a luminária com lupa que tenho em casa, mas eventualmente uso a pala, uma ferramenta comum na relojoaria e ourivesaria, para trabalho com peças muito pequenas.
 | | Palitos de dente, a ferramenta mais importante para construir na escala 1/144 e também a mais barata e descartável |
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| Pinças de interlace de cílios (alongamento), não são ferramentas baratas, porém são excelentes para posicionamento, dobragem e manipulação de pequenas peças. |
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| Estilete agulha de precisão vendido pela Daiso Japan Brasil (uma loja que vende artigos japoneses de 1,99 - one dollar store no Brasil), uma ferramenta extremamente útil para fazer cortes pequenos e preciso em micro peças (como nas da escala 1/144) |
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| Estilete tipo X Acto com lâminas Nº11: a ferramenta de corte Nº1 do arsenal do modelista em qualquer mídia, pode ser utilizado com lâminas cirúrgicas de bisturi de aço cromo rápido, em que um pacote de 100 é a metade da metade do preço das marcas consagradas no mercado especificas para modelismo. |
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| Tenho em casa uma luminária com lupa de mesa em complemento ao meu arco exatamente igual a essa, utilizo para visualizar cortes em peças pequenas especialmente e para verificar emendas. |
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| Outro produto que utilizo com frequência para manipular peças mesmo na 1/100 é a Lupa de Pala, outra ferramenta comum no modelismo, existem vários formatos e as lentes podem ser utilizadas em duplas aumentando o fator de duplicação, o único problema da pala é que seu uso contínuo pode ser cansativo, então a utilizo para trabalhos bem específicos. |
Materiais de Acabamento: Para este projeto usei para todos os acabamentos, (pinturas de falhas e eliminação de quinas brancas) canetas marcadoras acrílicas, nas cores apropriadas, existe hoje no mercado uma infinidade de marcas com diferentes formatos de pena e em estojos com variadas quantidades. Como em todos os meus modelos de papel para durabilidade e acabamento final eu aplico uma capa de verniz Acrilfix da Acrilex semibrilho em spray.
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| Eu tenho uns cinco jogos diferentes, além de cobrir qualquer material além do papel, ele não mancha o mesmo, sendo uma evolução em relação ao marcador a álcool que precisa sempre ser usado com muito cuidado em modelos de papel, ainda mais em escalas muito pequenas como essa. |
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| O verniz em Spray que é meu favorito: é vendido com as funções brilho, fosco e semibrilho, essa terceira opção eu uso há anos com excelentes resultados. |
Com a descrição de todos os materiais e ferramentas básicos vamos à construção do SVA-5 na 1/144.

Uma visão geral das peças impressas do SVA-5, este autor utiliza texturas foto realísticas além de oferecer em todos os modelos de aviões no site, bases para exposição, que sempre dão um toque a mais no valor do modelo. A construção segue uma abordagem convencional mas com algumas colagens de topo para reproduzir as formas peculiares da fuselagem de madeira contra-placada (que lembra um violino).
Os aviões da I Guerra de Paperdiorama todos tem cockpit, embora simplificados também representam um desafio de serem construídos em uma escala tão diminuta. O meu planejamento de construção segui a fórmula que sempre utilizo para a construção na escala 1/100: fuselagem asa de baixo e cauda, posteriormente struts, asa superior, trem de pouso e detalhes.

Nas fotos a sequencia de construção geral do SVA-5, com especial atenção a colagem de topo (sem flaps/abas) dos elementos da fuselagem, notem a construção do plano de Warren, neste caso é possível colar todos os struts e alinhar, sem precisar de um jig ou outras ferramentas de alinhamento.

Aqui observamos a construção final com todos os detalhes subsequentes: trem de pouso, hélice, para-brisa, bequilha, o modelo tem rigging feito com cerdas de nylon retiradas de vassoura e selecionadas com espessura ultra fina condizente com a escala, pelo menos, para a minha percepção.
O Modelo Finalizado

Este teste me deixou bastante satisfeito com os resultados, pois a experiência acumulada com os modelos 1/100, me provou ser possível utilizar a maioria das técnicas que já utilizo, claro que a escala tem alguns segredos próprios e esse é apenas um primeiro modelo pequeno, outros virão para apresentar novos desafios, mas definitivamente entrei no negócio da escala 1/144, sem abandonar a minha escala favorita: a 1/100.