segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Gloster Gladiator - Stahlhart Papercraft - Papermodel na 1/144

Publicamos mais uma adição a minha pequena coleção 1/144, desta vez o clássico Gloster Gladiator nas cores do Serviço Aéreo do Real Exército Norueguês, utilizado na heroica porém curta defesa da Noruega contra o invasor alemão.

O modelo é um freebie desenhado na escala 1/60 pela Stahlhart Papercraft. Onde o tema do gladiator é praticamente esgotado, o modelo ainda tem extras que podem ser usados em escalas maiores como motor detalhado e cockpit.



O Gloster Gladiator foi o último caça biplano operado pela Royal Air Force (RAF) e pela Fleet Air Arm britânica, marcando o fim definitivo de uma era na aviação militar birtânica. Introduzido no ano de 1937, o modelo representou a transição tecnológica do período entre-guerras, sendo o primeiro caça de sua força aérea inglesa a contar com uma cabine fechada.
Embora já estivesse considerado obsoleto no início da Segunda Guerra Mundial, rapidamente ofuscado por monoplanos modernos como o Hawker Hurricane e o Supermarine Spitfire, o Gladiator desempenhou um papel crucial em várias frentes onde aeronaves mais avançadas ainda não estavam disponíveis. Sua atuação mais famosa ocorreu na defesa aérea da ilha de Malta, onde três unidades remanescentes da variante naval Sea Gladiator ficaram lendárias sob os apelidos de Faith, Hope e Charity ao resistirem sozinhas aos ataques da força aérea italiana. O modelo também operou intensamente em outros cenários desafiadores, incluindo a Campanha da Noruega, o Norte da África, a Grécia, o Oriente Médio e a Guerra de Inverno, onde os pilotos da Força Aérea Finlandesa obtiveram grande sucesso utilizando o caça contra os bombardeiros soviéticos.
No total, foram produzidas 737 unidades da aeronave, que além do Reino Unido foi exportada e operada por outras 13 nações. Hoje em dia, restam apenas dois exemplares originais em plenas condições de voo no mundo, ambos preservados e mantidos por coleções de aeronaves históricas em território britânico.
Na Campanha da Noruega em 1940, o Gloster Gladiator desempenhou um papel heroico e trágico, servindo como o principal símbolo da resistência aérea inicial do país contra a invasão alemã. O Serviço Aéreo do Exército Norueguês possuía apenas sete caças operacionais integrando o seu único esquadrão de caça na base de Fornebu, perto de Oslo, quando a Luftwaffe iniciou o ataque em 9 de abril. Apesar de estarem tecnologicamente obsoletos frente aos modernos caças alemães Messerschmitt Bf 110, os pilotos noruegueses voaram repetidas missões defensivas desesperadas e conseguiram derrubar cinco aeronaves inimigas nas primeiras horas do conflito. 
Sem infraestrutura e sob pesado bombardeio, os Gladiators sobreviventes operaram de forma improvisada a partir de lagos congelados nos arredores da capital, mas toda a força original foi destruída em combate ou abandonada por falta de combustível e danos em menos de duas semanas. Paralelamente, o Esquadrão 263 da Royal Air Force britânica também enviou dezoito Gladiators a bordo do porta-aviões HMS Glorious para reforçar a defesa aliada na região central da Noruega. 
Esses caças britânicos operaram sob condições extremas a partir da superfície congelada do lago Lesjaskogsvatnet, onde travaram intensos combates antes que um pesado bombardeio alemão e o subsequente degelo destruíssem a maior parte dos aviões, forçando a evacuação das forças aliadas. 

Aspectos da Construção 

O modelo foi construido na escala 1/144, mantendo a maior parte dos detalhes sem grandes modificações com a redução de escala, neste experimento mantivemos a totalidade dos cabos de vôo, um ponto a melhorar são os struts que achei ainda grosseiros para a escala.


O modelo foi impresso em papel Opaline 120g, o mesmo dos projetos 1/100, este papel para mim é perfeito para a construção, mesmo de peças bastante diminutas, detalhe para estilete de ponta de precisão que é bastante útil para o corte de pequenas partes. O Rigging como no SVA-5 foi feito com cerdas de nylon de vassouras, especialmente selecionadas.



quarta-feira, 26 de agosto de 2026

A Saga Consolidated P2Y - Parte 2 - Scratchbuilding

Bem amigos, dando continuidade aos artigos sobre a construção do P2Y, acho que podemos falar sobre as primeiras abordagens de construção que tentamos realizar e toda a "aventura" resultante que ocorreu no quase intervalo de dez anos em que esse projeto ficou maturado.

P2Y3 da Armada Argentina - Construído por Tigertony100

Começamos falando sobre a tentativa de economizar tempo buscando exportar peças de Simuladores de vôo.

Como todos sabem, uma das popularizações do papelmodelismo nos dois primeiros decênios do século XXI veio da possiblidade de se extrair e manipular modelos 3D low poly, os desdobrar em ferramentas especializadas como o Pepakura Designer os transformando em kits práticos de construção para serem impressos e se transformarem em modelos reais de papel. Somada ao amplo acesso a computadores e impressoras a partir dos anos 2000.

Sobre esta premissa que comecei a pesquisar como extrair modelos de versões antigas do Flight Simulator e do Combat Flight Simulator, numa tentativa de economizar recursos e tempo, já que a tarefa do scratchbuilding demanda uma dedicação exclusiva( e muita  diga-se de passagem), depois de algumas tentativas com ferramentas que são utilizadas para "modar" os jogos, cheguei na ferramenta UMC escrita pelo usuário Plastic bonsai do fórum Papermodelers (isso no ano de 2009);

O primeiro modelo construído usando a extração de dados via UMC, edição no Metasequoia (colisões, simplificação e modificação de peças) e desdobramento no Pepakura Designer foi um modelo do Yakovlev Yak-25 extraido do jogo Wings over Europe.




Detalhes sobre esta construção está no Papermodelers neste tópico. Apesar de promissor muitos modelos destes simuladores são "multi LOD" ou seja tem "camadas" de detalhamento que vão simplificando para  que na execução do simulador dar a idéia de distância de uma aeronave em vôo e ao mesmo tempo não precisar alocar memória RAM ou de vídeo em um objeto microscópico ultra detalhado (era comum os jogos de PC nos anos 90 e primeira década dos 2000 usarem esses recursos de programação). Isso dava um trabalho do cão em limpar no Metasequoia, já que literalmente existiam três modelos em um, sendo o do LOD 0 ou 1 o realmente aproveitável.

Nesta época eu era preso a um equívoco: tentar usar como peças tudo o que o modelo oferecia em vez usar apenas o básico e redesenhar o resto (como pequenas peças e até mesmo maiores como asas e outros elementos). Isso provocava uma dor de cabeça, pois o modelo 3D não havia sido desenhado para ser um modelo de papel. construível. Na foto do Yak-25 é possível visualizar a quantidade de "breaks" que as peças tem, especialmente na fuselagem.

Foi nesta perspectiva que extrai do FS98 o primeiro modelo do P2Y.










Nessa captura de imagens eu mostro o primeiro projeto desenhado em 2010, onde o vetorizei inteiramente no Corel Draw, na sequencia de fotos abaixo mostro a tentativa de construção que ao longo dos anos com muitas paradas foi deixada de lado por erros inerentes ao desdobramento do projeto, muitos elementos de scratchbuilding como pintura da quilha com tinta acrílica (algo perigoso sempre de ser feito em modelos de papel. 

Esta primeira tentativa de construção, teve um avanço considerável, mas uma falha na construção das asas de baixo, acabei não gostando de como os bordos de ataque ficaram construidos. No mais mostro que para fora da construção de um modelo de papel normal, o trabalho é fortemente calcado em plantas em escala reduzidas para a escala 1/100.


    


Com esta insatisfação na construção das asas de baixo, o modelo ficou parado praticamente 5 anos até que em 2019, eu o descartei e recomecei do zero, com duas novas tentativas de construção, sendo que em uma usei uma técnica experimental de construir uma alma de papel cartão "carvada", em ambas não passei novamente da fuselagem, conforme mostro nas fotografias da segunda e da terceira tentativa de construção.


   


O projeto não avançou daqui, mas nesse meio caminho adquiri na Amazon em 2021 este livro que esgotava o assunto.




Com mais fotografias e desenhos técnicos (fora as que existem flutuando na internet), percebi que o modelo estava em alguns aspectos bastante equivocado na suas formas, especialmente no nariz e em alguns aspectos da quilha, foi ai que decidi abandonar essa tentativa de automação e voltar me para métodos mais tradicionais de scrathcbuilding desenhando a maior parte das peças na mão. E ai surge a quarta tentativa de construção, que eventualmente eu ainda posso terminar, mesmo tendo feito um novo modelo ( e ai sim um kit do avião - artigo da terceira parte da saga a ser publicada ainda), abaixo seguem as fotos do modelo que foi desenvolvido entre 2023 e 2026.


  

Apesar de ter muitos breaks na fuselagem e as peças como todo o bom scratch dependem da interpretação do autor, o modelo tem formas mais precisas que o anterior, texturas mais finas, o que reflete também a minha maturidade como construtor de modelos de papel, se compararmos esse modelo com os primeiros feitos sobre este tema há mais de dez anos atrás.
Importante dizer que esse design foi validado pelo meu amigo José Antônio Rodrigues (Tigertony100) que pegou as peças desenhadas a mão que foram vetorizadas, organizou as peças, repintou os vetores nas cores da Armada Argentina e construiu o modelo.



Tony criou um modelo maravilhoso ainda que com alguns pequenos erros de construção que são inerentes ao projeto e ao designer (este que vos escreve), o importante é que ele sem querer me validou a construção de todos os componentes, uma tarefa preciosa que ajudou ali na frente a criar um kit "montável" do avião em parceria com o meu amigo Garry Gillard, tema que trataremos na terceira e última parte deste artigo.