sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Ilyushin Il -28 "Beagle" - Papermodel na escala 1/144 - Scissors and Planes e Mod e Repintura por Rata

Mais um experimento na escala 1/144, testando as potencialidades da escala em diferentes modelos de diferentes complexidades.

Este modelo originalmente na escala 1/100 é uma melhoria de um modelo pasmem na escala 1/300 que Rata painelizou aderiu mais detalhes (como o trem de pouso) e fez algumas repinturas muito interessantes. Eu construí pelo menos umas três versões na escala 1/100, inclusive essa que estou apresentando hoje.

Embora o modelo seja muito simples as naceles tem uma certa dificuldade de construção, por conta do perfil de transição entre os lados retos e as extremidades circulares.

Usamos alguns materiais de teste dessa vez como nylon monofilamento de pesca 0,003mm para antena de rádios e e grafite HB 0.3mm para simular os canhões de cauda. O modelo teve um pequeno chumbo de 3g adicionado ao nariz para manter o modelo nas suas três rodas. 




O IL-28 foi um bombardeiro tático a jato soviético que marcou a década de 1950, conhecido no Ocidente como "Beagle". Ele surgiu da necessidade soviética de um bombardeiro de reação rápido e confiável, aproveitando a tecnologia de motores a jato britânicos obtida após a Segunda Guerra Mundial. Com mais de 6.300 unidades produzidas apenas na URSS até 1956, a aeronave combinou simplicidade, robustez e um desempenho sólido para sua época, sendo amplamente exportada e utilizada por diversos países do bloco socialista e aliados. O IL-28 era um monoplano bimotor com asas retas, operado por uma tripulação de três pessoas (piloto, navegador e artilheiro). Sua propulsão inicial vinha de motores RD-45 (cópias do Rolls-Royce Nene) e, posteriormente, dos Klimov VK-1. Em termos de desempenho, alcançava cerca de 902 km/h de velocidade máxima, com alcance de aproximadamente 2.180 km e teto de serviço de 12.300 metros. Para o ataque, podia carregar até 3.000 kg de bombas convencionais ou uma bomba nuclear. A defesa ficava por conta de quatro canhões NR-23 de 23 mm: dois fixos na dianteira e dois em uma torre de cauda operada manualmente pelo artilheiro. Sua versatilidade gerou diversas versões, como a de treinamento Il-28U (NATO "Mascot"), a de reconhecimento Il-28R e a naval Il-28T para torpedos. O sucesso do projeto foi tanto que a China produziu sua própria cópia sem licença (designada H-5), tornando-se a maior operadora da aeronave fora da URSS após a ruptura sino-soviética. No contexto da Guerra Fria, o IL-28 foi um vetor importante para forças aéreas como as da Tchecoslováquia, Polônia, Egito e Cuba, participando de conflitos regionais e sendo temido por sua capacidade de penetração em baixa altitude.



O IL-28 não teve um papel de destaque na Guerra do Vietnã, apesar de ter sido introduzido no conflito. A União Soviética transferiu para o Vietnã do Norte cerca de oito aeronaves a partir de meados de 1965, incluindo versões de reconhecimento, treinamento e bombardeio, que foram integradas ao Regimento 921 da Força Aérea Popular do Vietnã . A chegada desses bombardeiros a jato gerou preocupação imediata nos Estados Unidos, que monitoraram a sua presença na base aérea de Phuc Yen, perto de Hanói, e chegaram a considerar ataques preventivos para destruí-los no solo . No entanto, avaliações militares da época indicavam que o IL-28 era lento e obsoleto, com pouca chance de sobreviver à interceptação por caças supersônicos americanos como o F-102 e o F-4, o que reduzia sua utilidade como arma ofensiva .

Apesar de estarem em solo norte-vietnamita desde 1965, os IL-28 permaneceram sem participar de missões de combate por vários anos. Houve até planos para utilizá-los em um ataque ousado contra a Sétima Frota dos Estados Unidos, com tripulações enviadas à União Soviética para treinar voos em altitudes extremamente baixas sobre o mar e técnicas de bombardeio, mas o plano foi descartado por conselhos soviéticos sobre os riscos políticos e militares envolvidos . A única missão operacional registrada ocorreu em 9 de outubro de 1972, quando dois IL-28 atacaram a base de Buam Long (ou Bouam Long) no Laos, reduto das forças do general Vang Pao que contava com conselheiros americanos . Para essa missão, uma das aeronaves de reconhecimento foi adaptada para realizar o bombardeio, e o ataque, embora tenha deixado crateras, não causou danos significativos . Após essa ação isolada, as aeronaves foram retiradas de serviço por volta de 1973 devido ao desgaste.

Este modelo está disponível para download gratuitamente na seção de arquivos do fórum Papermodelers, você precisa se cadastrar e participar para poder baixar.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Gourdou Lesseure GL-22C1 - Der Kampfflieger Papermodel - Papermodel na 1/100


O Gourdou-Leseurre GL.22, também conhecido como Type B3, foi um caça monoplano francês desenvolvido no período entreguerras como evolução da série GL.2 e GL.21. Seu desenvolvimento começou a partir de uma linhagem de caças iniciada com o Type A, que embora tivesse bom desempenho, foi rejeitado pela aviação militar francesa devido a preocupações com a rigidez de sua asa. A Gourdou-Leseurre continuou o projeto por conta própria e criou o GL.21, que introduziu ailerons revisados e foi comprado em um lote de 20 unidades pela Aéronautique Militaire, além de uma unidade para avaliação na Finlândia. O GL.22 surgiu em 1922 como uma revisão mais profunda do GL.21, com asa redesenhada de maior envergadura, estabilizador horizontal e trem de pouso modificados. Essas mudanças proporcionaram melhor desempenho e estabilidade, resultando em um sucesso moderado de vendas tanto no mercado interno quanto para exportação.




As especificações técnicas da versão principal de caça, o GL.22C.1, incluíam tripulação de um piloto, comprimento de 6,50 metros, envergadura de 9,40 metros, altura de 2,52 metros e área alar de 18,4 metros quadrados. O peso vazio era de 590 quilogramas e o peso bruto de 880 quilogramas. O motor era um Hispano-Suiza 8Ab de 180 cavalos, ou 134 quilowatts. A velocidade máxima atingia 257 quilômetros por hora, o alcance era de 450 quilômetros, o teto de serviço era de 7.500 metros e a taxa de subida era de 4,8 metros por segundo. O armamento consistia em duas metralhadoras Vickers .303 fixas de tiro frontal. A versão de treinamento GL.22ET era desarmada.




A linhagem GL.2 gerou diversas variantes para diferentes propósitos. O B3, ou GL.22, foi a versão de caça principal com nova asa, cauda e trem de pouso, com 71 unidades construídas, também chamada de GL.22C.1. O B5, ou GL.22ET, era uma versão desarmada usada como treinador avançado pela Força Aérea e Aviação Naval francesas. O B4, ou GL.23, foi uma versão de teste com 9 unidades construídas. O GL.23TS foi uma versão para ambulância aérea com uma unidade construída. O GL.24 e o GL.24X foram versões de teste, incluindo uma para investigar efeitos de sobrecarga. O B6 foi uma versão acrobática para Jérôme Cavalli, equipada com motor Hispano-Suiza 9Qd. O B7 foi uma versão acrobática para Fernand Malinvaud e Adrienne Bolland, com motor Lorraine 9Na e duas unidades construídas.




O GL.22 foi um dos maiores sucessos de exportação da Gourdou-Leseurre e serviu em várias forças aéreas durante o entreguerras. Na França, a Aéronautique Maritime comprou 20 unidades como GL.22C.1, e a Aéronautique Militaire adquiriu a versão de treinamento GL.22ET.1. Um desses aviões foi testado no porta-aviões Béarn. Na Finlândia, após avaliar um GL.21, a Força Aérea Finlandesa comprou 19 GL.22, sendo 18 mais um montado com peças de reposição. As aeronaves chegaram em 1924 e equiparam a primeira esquadrilha de caças completa do país, permanecendo em serviço até 1931. Na Iugoslávia, o país comprou 20 unidades da França em 1928 e obteve licença para produzir mais 20 aeronaves na fábrica Zmaj entre 1929 e 1930, além de outras 6 em 1933. Designados localmente como LGL B3, foram usados em funções de caça-treinador e retirados de serviço em 1937, embora alguns relatos indiquem até 1941. A Estônia adquiriu 15 unidades, a Tchecoslováquia comprou 15 unidades e a Letônia adquiriu uma unidade, operada pela Aizsargi, a Guarda Nacional.




Além de seu papel como caça, o GL.22 teve uma carreira notável em competições e exibições. Em 1923, o piloto de testes da Gourdou-Leseurre, André Christiany, venceu o teste de velocidade da Coupe Michelin com um GL.22. No mesmo ano, dois GL.22ET.1 pintados com as cores nacionais francesas fizeram demonstrações por toda a França e Norte da África. Mesmo na década de 1930, versões acrobáticas especializadas, como o B6 e o B7, foram produzidas para pilotos famosos como Jérôme Cavalli, Fernand Malinvaud e Adrienne Bolland. O GL.22 permanece como um exemplo importante da aviação militar francesa do entreguerras, combinando função de caça, treinamento e acrobacia, além de ter sido exportado para diversos países e utilizado em licença no exterior.







O modelo desenvolvido por Der Kampfflieger na escala nativa 1/100, mistura a simplicidade com a qualidade tradicional deste designer, com grandes texturas vetoriais, e uma engenharia muito bem feita de montagem. No quadro abaixo mostramos os progressos do modelo beta que fomos convidados a construir pelo designer:





O modelo foi impresso em papel Opaline 120gsm numa impressora Epson L100 em modo otimizado, os formers foram laminados em papel  cartão 320gsm. Representa um dos GL-22 a serviço da Força Aérea Finlandesa em 1930, um dos maiores usuários desta aeronave.




O modelo é muito bem vindo neste rico nicho da aviação militar francesa do período entre-guerras. Der Kampfflieger realizou um kit para venda com oito versões diferentes que podem ser adquiridos aqui e aqui.