quinta-feira, 16 de julho de 2026

IMAN Romeo Ro 1 - Péricles Papermodel Stúdio / Rata Repaints 1/100

O IMAM Ro.1 foi uma aeronave de reconhecimento e bombardeiro leve italiana que teve suas origens na Officine Ferroviarie Meridionali, sob a liderança do engenheiro Nicola Romeo, o mesmo fundador da Alfa Romeo. 



Em 1926, a empresa adquiriu os direitos de produção do caça-reconhecimento holandês Fokker C.V-E, e a versão licenciada foi inicialmente designada como OFM Ro.1. Mais tarde, com a reorganização da empresa para Industrie Meccaniche e Aeronautiche Meridionali, a aeronave passou a ser conhecida como IMAM Ro.1. 




O modelo era um biplano robusto e de construção mista, motorizado com o radial Alfa Romeo Jupiter IV, que era uma versão licenciada do Bristol Jupiter e entregava cerca de 420 cavalos de potência. Suas especificações técnicas incluíam um comprimento de 9,46 metros, envergadura de 15,30 metros, altura de 3,38 metros, peso vazio de 1.275 quilogramas e peso máximo de decolagem de 2.175 quilogramas. Alcançava uma velocidade máxima entre 214 e 230 quilômetros por hora, possuía autonomia de aproximadamente cinco horas e meia ou mil e duzentos quilômetros, e seu teto operacional ficava em torno de cinco mil e novecentos metros. 




Como armamento, contava com duas metralhadoras de 7,7 milímetros, sendo uma fixa de tiro frontal para o piloto e uma móvel para o observador, além de poder carregar até cento e quarenta e quatro quilogramas de bombas. 




O Ro.1 teve uma carreira operacional ativa, sendo amplamente utilizado nas campanhas coloniais italianas, incluindo ações na Líbia e o ataque ao oásis de Kufra em 1931, além de participar da Guerra Ítalo-Etíope entre 1935 e 1936.




Apesar de ter sido empregado na linha de frente durante esses conflitos, a aeronave já se mostrava obsoleta em meados da década de 1930 e foi gradualmente substituída por modelos mais modernos como o IMAM Ro.37. Foi oficialmente retirada do serviço ativo em 1937, sendo posteriormente utilizada em escolas de voo como treinador. No total, foram construídas cerca de 277 unidades da versão padrão do Ro.1, além de aproximadamente 72 exemplares da versão Ro.1bis, que se diferenciava pelo uso do motor Piaggio Jupiter VIII, mais potente.




Com isso, o Ro.1 consolidou seu lugar como uma das principais aeronaves de reconhecimento da Regia Aeronautica no período entre guerras, servindo como uma ponte entre os projetos da década de 1920 e os desenvolvimentos que viriam na Segunda Guerra Mundial.




O Modelo




O detalhamento da construção pode ser visto aqui.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

IMAN (Romeo) Ro-1 - Péricles Papermodel Stúdio / Rata Repaints - 1/100 WIP

O Fokker C-V foi um modelo longamente negligenciado pelos editores e designers no papel modelismo (o mesmo ocorreu em relação ao plastimodelismo, até hoje só existem modelos em vacuoforming ou shortrun deste avião), mesmo sendo a série C V um dos mais importantes aviões militares Europeus do período entre-guerras, amplamente exportado e com inúmeras variantes equipadas com diferente motores.



Ante essa lacuna eu e meu amigo da Austrália Garry Gillard, conhecido no meio do papelmodelismo mundial como "Rata", unimos esforços para desenhar um modelo deste importante avião dos anos de 1930.


Eu desenhei basicamente a fuselagem, asas e a cauda, Rata desenhou todo o resto, desenvolvendo as versões com diferentes motores, bem como as decorações e outros detalhes, nesta parceria eu desenhei 35% do modelo e o os outros 65% foi ele que fez.





Apresento também dois modelos construídos por Rata, o holandês é um Fokker C-V-D equipado com motor Kestrel e o Suíço um C-V-E fabricado sob licença pela EKW, de grande envergadura equipado com motor Lorraine-Dietrich.


Fokker C-V-D Royal Netherderlands Air Corps -  1940 - Modelo construído por Rata - teste 1


EKW C-V-E - Força Aérea Suíça - 1934 - Modelo construído por Rata - teste 2

Nos dividimos na incumbência de construir as muitas versões que Rata desenvolveu, e começo com a construção da versão Italiana que na verdade é bastante diversa da família do C-V, trata-se do IMAN Ro-1, nesta postagem não vamos falar sobre a história do avião, mas vamos nos focar no processo de construção.

Fuselagem


 

Como muitas aeronaves do período  entre guerras revestidas de tecido, o Fokker CV segue de perto essa fórmula, pois seu design tem uma herança que começa com o Fokker DVII e EV da I Guerra Mundial. Como desenhei a fuselagem básica, o fato de ela ter uma seção quadrada facilitou as coisas. Gary teve que fazer modificações nos dorsos, pois existiram muitas variações  de fuselagem dependendo do operador, assim como com vários designs franceses do período, a série CV podia ser equipada com uma imensa variedade de motores em linha e radial, além de terem diferentes envergaduras de asa. Neste caso optamos por construir as partes sem abas apenas com colagem de topo a exceção das peças do nariz. As quinas foram pintadas com marcadores acrílicos nas cores apropriadas. Notem o former de manutenção de volume que vai na fuselagem, como outros modelos 1/100, apenas simulamos os cockpits com texturas, mas para os detalhistas é possível fazer scratchbuilings do interior.

Asas, Cauda, Struts e Trem de Pouso



Esta etapa para muitos muito delicada é facilmente vencida se começarmos a construção dos struts pela cabana central. A construção das asas segue o modelo tradicional para esta escala com uma verga central feita de papel cartão grosso. Desenvolvemos a asa superior em três peças: para facilitar a troca da envergadura e pelo fato de não ter corda constante. Os struts foram desenvolvidos por Rata e podem mudar de versão a versão. No caso do Ro-1 ele tem um trem de pouso complexo. A cauda foi desenhada por Rata e também é relativamente padrão para todas as versões. Como em outros designs Fokker, o CV praticamente não tem cabos de estruturais de sustentação, o que facilita e agiliza o trabalho de construção. Sobre os struts eles foram laminados em papel 120g e pintados com marcador acrílico na cor apropriada. 

Detalhes




Aqui aderimos os acabamentos como os cilindros do motor (depende novamente da versão), hélice, anel e metralhadora traseira (depende da versão), bequilha, struts de cauda, escapamento do motor (dependendo da versão) além dos para-brisas.

Não por ter ajudado a projetar, mas o que posso dizer é que é um modelo divertido de ser construído, o próximo que está em vias de preparo de construção é um Fokker C-V-E nas cores da força aérea finlandesa. 

terça-feira, 14 de julho de 2026

Breguet XIXA2 Exército Brasileiro - Scissors and Planes 1/100

O Breguet XIX, sucessor do famoso Breguet 14 da Primeira Guerra Mundial, foi um dos aviões militares mais produzidos no período entre-guerras, com cerca de 2700 unidades fabricadas e amplamente exportado, tendo o seu projeto começado em 1920 e o primeiro voo realizado em março de 1922 . A sua estrutura inovadora utilizava extensivamente o duralumínio, tornando a aeronave mais leve e rápida que muitos bombardeiros e mesmo alguns caças da sua época, o que gerou enorme interesse internacional .



As principais versões militares do Breguet 19 foram as praticamente idênticas A2, de reconhecimento, e B2, de bombardeiro ligeiro, ambas com uma tripulação de dois elementos, um piloto e um observador/artilheiro, e capacidade para transportar até 472 kg de bombas . A versão CN2 foi uma variante de caça noturno, muito semelhante à A2, mas com a adição de uma metralhadora extra de disparo frontal para o piloto . Além destas, uma versão hidroavião, designada Br.19 hydro, foi produzida com flutuadores duplos para operações a partir da água .



Para além das versões de combate padrão, o Breguet XIX deu origem a uma notável família de variantes de longo curso, como a GR (Grand Raid) e a TR Bidon/Super Bidon, que estabeleceram inúmeros recordes de distância . Estas aeronaves, com depósitos de combustível ampliados e fuselagem modificada, foram usadas para proezas históricas, como a primeira travessia do Atlântico Norte sem escalas . A procura por mais potência levou ao desenvolvimento das versões tardias na década de 1930, como a Br.19.7, com motor Hispano-Suiza de 650 cv, a Br.19.8, com motor radial Wright Cyclone de 780 cv, e a Br.19.9, com motor Hispano-Suiza de 860 cv, que foi a versão mais potente da série .




As versões militares do Breguet XIX tiveram uma longa e ativa carreira operacional em vários conflitos, começando com ações contra insurgentes no Marrocos e na Síria nos anos 1920, e atingindo o seu auge na Guerra Civil Espanhola, onde foi a espinha dorsal da frota de bombardeiros republicanos e também foi usado pelos nacionalistas . A Força Aérea Grega utilizou os seus Breguet XIX no início da Segunda Guerra Mundial contra a Itália, em outubro de 1940, mas estes foram rapidamente retirados das linhas da frente por serem demasiado lentos e vulneráveis face aos caças modernos . Outros utilizadores incluíram a Bélgica, a Jugoslávia, onde muitas aeronaves foram destruídas em terra durante a invasão alemã e outras usadas pela Croácia, a Bolívia na Guerra do Chaco, e a China contra o Japão .


No Brasil


A presença do Breguet XIX na Aviação Militar do Brasil foi bastante limitada. A Força Aérea Brasileira operou um lote de cinco aeronaves do modelo 19A2/B2, que foram recebidas em abril de 1928. Designadas para a Escola de Aviação Militar, essas aeronaves foram usadas principalmente para treinamento e em funções de ataque leve, permanecendo em serviço até 1936.


Documentos indicam que a Aviação Militar recebeu seis aeronaves, e não cinco, como se mencionava anteriormente. Todas foram entregues em abril de 1928 e receberam as matrículas K521, K522, K523, K524, K525 e K526 . Esses aviões serviram na Escola de Aviação Militar, sendo usados para instrução e como aviões de ataque leve, até serem retirados de serviço por volta de 1936 .


O episódio mais documentado da carreira dessas aeronaves no Brasil é um acidente trágico ocorrido em 30 de outubro de 1929. O Breguet com matrícula K-521 caiu em Casimiro de Abreu, no Rio de Janeiro, durante um voo de instrução que partiu do Campo dos Afonsos. O acidente vitimou o piloto, Capitão Octavio Alves do Valle, enquanto o outro ocupante sobreviveu.


Quanto às outras quatro aeronaves do lote, não há registros detalhados de acidentes ou incidentes graves. Sabe-se que operaram na Escola de Aviação Militar ao longo dos anos seguintes, sendo gradualmente retiradas de serviço em 1936, quando provavelmente foram desmontadas ou sucateadas, encerrando assim a breve passagem do Breguet XIX pela aviação militar brasileira.


O Modelo