O Breguet XIX, sucessor do famoso Breguet 14 da Primeira Guerra Mundial, foi um dos aviões militares mais produzidos no período entre-guerras, com cerca de 2700 unidades fabricadas e amplamente exportado, tendo o seu projeto começado em 1920 e o primeiro voo realizado em março de 1922 . A sua estrutura inovadora utilizava extensivamente o duralumínio, tornando a aeronave mais leve e rápida que muitos bombardeiros e mesmo alguns caças da sua época, o que gerou enorme interesse internacional .
As principais versões militares do Breguet 19 foram as praticamente idênticas A2, de reconhecimento, e B2, de bombardeiro ligeiro, ambas com uma tripulação de dois elementos, um piloto e um observador/artilheiro, e capacidade para transportar até 472 kg de bombas . A versão CN2 foi uma variante de caça noturno, muito semelhante à A2, mas com a adição de uma metralhadora extra de disparo frontal para o piloto . Além destas, uma versão hidroavião, designada Br.19 hydro, foi produzida com flutuadores duplos para operações a partir da água .
Para além das versões de combate padrão, o Breguet XIX deu origem a uma notável família de variantes de longo curso, como a GR (Grand Raid) e a TR Bidon/Super Bidon, que estabeleceram inúmeros recordes de distância . Estas aeronaves, com depósitos de combustível ampliados e fuselagem modificada, foram usadas para proezas históricas, como a primeira travessia do Atlântico Norte sem escalas . A procura por mais potência levou ao desenvolvimento das versões tardias na década de 1930, como a Br.19.7, com motor Hispano-Suiza de 650 cv, a Br.19.8, com motor radial Wright Cyclone de 780 cv, e a Br.19.9, com motor Hispano-Suiza de 860 cv, que foi a versão mais potente da série .
As versões militares do Breguet XIX tiveram uma longa e ativa carreira operacional em vários conflitos, começando com ações contra insurgentes no Marrocos e na Síria nos anos 1920, e atingindo o seu auge na Guerra Civil Espanhola, onde foi a espinha dorsal da frota de bombardeiros republicanos e também foi usado pelos nacionalistas . A Força Aérea Grega utilizou os seus Breguet XIX no início da Segunda Guerra Mundial contra a Itália, em outubro de 1940, mas estes foram rapidamente retirados das linhas da frente por serem demasiado lentos e vulneráveis face aos caças modernos . Outros utilizadores incluíram a Bélgica, a Jugoslávia, onde muitas aeronaves foram destruídas em terra durante a invasão alemã e outras usadas pela Croácia, a Bolívia na Guerra do Chaco, e a China contra o Japão .
No Brasil
A presença do Breguet XIX na Aviação Militar do Brasil foi bastante limitada. A Força Aérea Brasileira operou um lote de cinco aeronaves do modelo 19A2/B2, que foram recebidas em abril de 1928. Designadas para a Escola de Aviação Militar, essas aeronaves foram usadas principalmente para treinamento e em funções de ataque leve, permanecendo em serviço até 1936.
Documentos indicam que a Aviação Militar recebeu seis aeronaves, e não cinco, como se mencionava anteriormente. Todas foram entregues em abril de 1928 e receberam as matrículas K521, K522, K523, K524, K525 e K526 . Esses aviões serviram na Escola de Aviação Militar, sendo usados para instrução e como aviões de ataque leve, até serem retirados de serviço por volta de 1936 .
O episódio mais documentado da carreira dessas aeronaves no Brasil é um acidente trágico ocorrido em 30 de outubro de 1929. O Breguet com matrícula K-521 caiu em Casimiro de Abreu, no Rio de Janeiro, durante um voo de instrução que partiu do Campo dos Afonsos. O acidente vitimou o piloto, Capitão Octavio Alves do Valle, enquanto o outro ocupante sobreviveu.
Quanto às outras quatro aeronaves do lote, não há registros detalhados de acidentes ou incidentes graves. Sabe-se que operaram na Escola de Aviação Militar ao longo dos anos seguintes, sendo gradualmente retiradas de serviço em 1936, quando provavelmente foram desmontadas ou sucateadas, encerrando assim a breve passagem do Breguet XIX pela aviação militar brasileira.
O Modelo






































