quarta-feira, 22 de julho de 2026

Ansaldo SVA-5 de Paperdiorama - Uma Primeira Experiência no Papelmodelismo em 1/144

Nas minhas férias de inverno, terminei o meu primeiro modelo de avião na  1/144, uma escala que aprecio muito e que recentemente fiz um artigo que pode ser lido aqui sobre a sua história e vantagens aplicados ao modelismo em papel.

Agora chegou a hora de demonstrarmos praticamente a viabilidade da escala, materiais e técnicas utilizadas.

O modelo escolhido para esse primeiro teste é um modelo gratuito de Paperdiorama, trata-se de um Ansaldo SVA-5, avião de caça/reconhecimento/bombardeiro italiano da I Guerra Mundial. A escolha deste modelo foi feita pela possiblidade de testar colagens de topo, rigging moderado, ele ter cockpit (possiblidade de cortar e manipular peças pequenas) além do famoso plano de Warren, que é uma característica de muitos aviões Italianos, em especial os fabricados pela Caproni nos anos 20 e 30.


Captura de Tela do site Paperdiorama com a página do Ansaldo SVA-5


Então sem mais delongas vamos demonstrar o trabalho aqui.

Primeiramente vamos falar sobre o papel. Muitos modelistas que lidam com essa escala ou menores (como Texman, Papermate e Jan Kytop, amigos do fórum Papermodelers) usam em geral papel 75lb ou 90lb para fazer os seus trabalhos, este papel no Brasil equivale ao Sulfite (Offset) entrte 90g a 100g, aquele papel de escritório com a folha mais reforçada, normalmente utilizada para impressão de apresentações e trabalhos acadêmicos.

Acabei optando após estudar um pouco em usar o mesmo papel que utilizo para os projetos 1/100: o sulfite ou então o opalina 120g, pois na 1/144 ele produz uma quina nas peças interessante que dependo do formato ou colagem pode funcionar com a ausência de abas de colagem (flaps) por colagem de topo. 

O papel Opaline que uso de muitas marcas brasileiras, mas em especial esse da Off Paper, que encontro no comércio de Rua da minha cidade (especificamente nas papelarias do meu bairro) é um pouco mais caro, mas é um papel de apresentação excelente para impressões de modelos de alta resolução ou com texturas com efeito de profundidade e metalização.
Papel Sulfite 120g em maço de 50 folhas, a linha da Chamex é uma dos meus favoritos, papel barato, com fibras muito compactadas e bom resultados de impressão principalmente para modelos vetoriais como os Scissors and Planes.

Ao longo do trabalho essa escolha me pareceu acertada, o que me facilita a vida, por que o papel 120g é de fácil aquisição (encontra-se no Brasil até em supermercados maiores nas seções de papelaria,  em lojas especializadas. fora e-commerces populares no Brasil como Shopee e Mercado Livre) e eu sempre tenho amplo estoque no meu estúdio.

Claro que separei papéis cartão entre 180g e 240g e alguns até mais grossos para trabalhos especiais e específicos de laminação (rodas, formes e outros elementos).

Escolhido o papel para impressão,  tratamos de converter o arquivo para a escala desejada. Os modelos de aviões Paperdiorama  estão na escala 1/64, para ganhar tempo se você não tem uma ferramenta instalada de conversão ou cálculo de escala eu recomendo esta calculadora de escala on line. A porcentagem foi aplicada diretamente no arquivo PDF, eu recomendo utilizar para imprimir a ferramenta Foxit Reader que é mais leve que o Adobe Acrobat e com interface mais amigável.

A impressão foi feita na minha velha Epson L120 bulk ink, cansada de guerra. a diferença ao imprimir é que ao ativar as opções avançadas de impressão selecionei qualidade extra para capturar o maior numero de detalhes da resolução (alguns se perdem numa escala tão pequena).

De posse da impressão, na escala correta, vamos falar dos materiais e ferramentas utilizados nesta iniciativa.

Colas: as mesmas utilizadas em trabalhos em outras escalas: cola PVA branca (eu particularmente gosto muito da Acrilex Artesanato, que é uma cola brasileira desenvolvida para manualidades), Cola polivinilica de contato ou universal (a minha favorita é a Uhu, mas ela anda difícil de encontrar, então uso esta equivalente brasileira Brascoart que custa 1/3 do valor) e cola de Cianocrilato (CA Glue) que aí pode ser da sua preferência, em geral eu gosto de utilizar a de média viscosidade da TekBond. Colas CA são utilizadas para gerar pontos de reforço na união de peças ou trem de pouso e struts.

Cola Branca PVA Acrilex, a minha favorita.
Cola CA Tekbond de média viscosidade, é atualmente um das melhores CA no mercado brasileiro, embora tenham outras como a Almacola que gosto mais embora dificil de encontrar fora de e-commerces;



Esta cola que custa o equivalente a USD$ 2,00 substitui perfeitamente a cola Uhu sem prejuízo com a mesma capacidade e tempo de secagem, o cheiro inclusive é praticamente igual.

Ferramentas: Por incrível que pareça a ferramenta mais útil e dinâmica a ser utilizada na escala 1/144 e também é absolutamente descartável é o palito de dentes, ele serve para manipular, aplicar cola e até mesmo fornecer matéria prima para fabricação de pequenas peças torneadas se isso for necessário, Se quiser inovar ou especializar existem palitos mais finos e até mais compridos (como os utilizados para servir frios espetados), mas em geral o palito comum, atende 99% das necessidades. Pinças: fundamentais para manipular e dobrar pequenas peças e flaps, prefira aquelas que são utilizadas para fazer interlace de cílios femininos, em geral se encontram para vender em lojas de artigos de beleza ou então em e-commerces como os que indiquei acima. Estiletes, uso em geral estiletes de precisão como o "agulha" e um geral de Nº11 tipo X Acto ou MAXX ou então cirúrgico, uso uma lamina cega #11 também para produzir dobras. Luminárias com lente e lupa de pala, também são muito necessárias para não forçar os olhos com a lida de pequenas peças, eu uso mais a luminária com lupa que tenho em casa, mas eventualmente uso a pala, uma ferramenta comum na relojoaria e ourivesaria, para trabalho com peças muito pequenas.

Palitos de dente, a ferramenta mais importante para construir na escala 1/144 e também a mais barata e descartável
Pinças de interlace de cílios (alongamento), não são ferramentas baratas, porém são excelentes para  posicionamento, dobragem e  manipulação de pequenas peças.
Estilete agulha de precisão vendido pela Daiso Japan Brasil (uma loja que vende artigos japoneses de 1,99 - one dollar store no Brasil), uma ferramenta extremamente útil para fazer cortes pequenos e preciso em micro peças (como nas da escala  1/144)


Estilete tipo X Acto com lâminas Nº11: a ferramenta de corte Nº1 do arsenal do modelista em qualquer mídia, pode ser utilizado com lâminas cirúrgicas de bisturi de aço cromo rápido, em que um pacote de 100  é a metade da metade do preço das marcas consagradas no mercado especificas para modelismo.


Tenho em casa uma luminária com lupa de mesa em complemento ao meu arco exatamente igual a essa, utilizo para visualizar cortes em peças pequenas especialmente e para verificar emendas. 

Outro produto que utilizo com frequência para manipular peças mesmo na 1/100 é a Lupa de Pala, outra ferramenta comum no modelismo, existem vários formatos e as lentes podem ser utilizadas em duplas aumentando o fator de duplicação, o único problema da pala é que seu uso contínuo pode ser cansativo, então a utilizo para trabalhos bem específicos.


Materiais de Acabamento: Para este projeto usei para todos os acabamentos, (pinturas de falhas e eliminação de quinas brancas) canetas marcadoras acrílicas, nas cores apropriadas, existe hoje no mercado uma infinidade de marcas com diferentes formatos de pena e em estojos com variadas quantidades. Como em todos os meus modelos de papel para durabilidade e acabamento final eu aplico uma capa de verniz Acrilfix da Acrilex semibrilho em spray.

Eu tenho uns cinco jogos diferentes, além de cobrir qualquer material além do papel, ele não mancha o mesmo, sendo uma evolução em relação ao marcador a álcool que precisa sempre ser usado com muito cuidado em modelos de papel, ainda mais em escalas muito pequenas como essa.

O verniz em Spray que é meu favorito: é vendido com as funções brilho, fosco e semibrilho, essa terceira opção eu uso há anos com excelentes resultados.


Com a descrição de todos os materiais e ferramentas básicos vamos à construção do SVA-5 na 1/144.



Uma visão geral das peças impressas do SVA-5, este autor utiliza texturas foto realísticas além de oferecer em todos os modelos de aviões no site,  bases para exposição,  que sempre dão um toque a mais no valor do modelo. A construção segue uma abordagem convencional mas com algumas colagens de topo para reproduzir as formas peculiares da fuselagem de madeira contra-placada (que lembra um violino).
Os aviões da I Guerra de Paperdiorama todos tem cockpit, embora simplificados também representam um desafio de serem construídos em uma escala tão diminuta. O meu planejamento de construção segui a fórmula que sempre utilizo para a construção na escala 1/100: fuselagem asa de baixo e cauda, posteriormente struts, asa superior, trem de pouso e detalhes.



Nas fotos a sequencia de construção geral do SVA-5, com especial atenção a colagem de topo (sem flaps/abas) dos elementos da fuselagem, notem a construção do plano de Warren, neste caso é possível colar todos os struts e alinhar, sem precisar de um jig ou outras ferramentas de alinhamento.


Aqui observamos a construção final com todos os detalhes subsequentes: trem de pouso, hélice, para-brisa, bequilha, o modelo tem rigging feito com cerdas de nylon retiradas de vassoura  e selecionadas com espessura ultra fina condizente com a escala, pelo menos, para a minha percepção.

O Modelo Finalizado



Este teste me deixou bastante satisfeito com os resultados, pois a experiência acumulada com os modelos 1/100, me provou ser possível utilizar a maioria das técnicas que já utilizo, claro que a escala tem alguns segredos próprios e esse é apenas um primeiro modelo pequeno, outros virão para apresentar novos desafios, mas definitivamente entrei no negócio da escala 1/144, sem abandonar a minha escala favorita: a 1/100.


quinta-feira, 16 de julho de 2026

IMAN Romeo Ro 1 - Péricles Papermodel Stúdio / Rata Repaints 1/100

O IMAM Ro.1 foi uma aeronave de reconhecimento e bombardeiro leve italiana que teve suas origens na Officine Ferroviarie Meridionali, sob a liderança do engenheiro Nicola Romeo, o mesmo fundador da Alfa Romeo. 



Em 1926, a empresa adquiriu os direitos de produção do caça-reconhecimento holandês Fokker C.V-E, e a versão licenciada foi inicialmente designada como OFM Ro.1. Mais tarde, com a reorganização da empresa para Industrie Meccaniche e Aeronautiche Meridionali, a aeronave passou a ser conhecida como IMAM Ro.1. 




O modelo era um biplano robusto e de construção mista, motorizado com o radial Alfa Romeo Jupiter IV, que era uma versão licenciada do Bristol Jupiter e entregava cerca de 420 cavalos de potência. Suas especificações técnicas incluíam um comprimento de 9,46 metros, envergadura de 15,30 metros, altura de 3,38 metros, peso vazio de 1.275 quilogramas e peso máximo de decolagem de 2.175 quilogramas. Alcançava uma velocidade máxima entre 214 e 230 quilômetros por hora, possuía autonomia de aproximadamente cinco horas e meia ou mil e duzentos quilômetros, e seu teto operacional ficava em torno de cinco mil e novecentos metros. 




Como armamento, contava com duas metralhadoras de 7,7 milímetros, sendo uma fixa de tiro frontal para o piloto e uma móvel para o observador, além de poder carregar até cento e quarenta e quatro quilogramas de bombas. 




O Ro.1 teve uma carreira operacional ativa, sendo amplamente utilizado nas campanhas coloniais italianas, incluindo ações na Líbia e o ataque ao oásis de Kufra em 1931, além de participar da Guerra Ítalo-Etíope entre 1935 e 1936.




Apesar de ter sido empregado na linha de frente durante esses conflitos, a aeronave já se mostrava obsoleta em meados da década de 1930 e foi gradualmente substituída por modelos mais modernos como o IMAM Ro.37. Foi oficialmente retirada do serviço ativo em 1937, sendo posteriormente utilizada em escolas de voo como treinador. No total, foram construídas cerca de 277 unidades da versão padrão do Ro.1, além de aproximadamente 72 exemplares da versão Ro.1bis, que se diferenciava pelo uso do motor Piaggio Jupiter VIII, mais potente.




Com isso, o Ro.1 consolidou seu lugar como uma das principais aeronaves de reconhecimento da Regia Aeronautica no período entre guerras, servindo como uma ponte entre os projetos da década de 1920 e os desenvolvimentos que viriam na Segunda Guerra Mundial.




O Modelo




O detalhamento da construção pode ser visto aqui.