terça-feira, 2 de junho de 2026

O Surgimento de uma Nova Coleção em uma Nova Escala: 1/144

Apontamentos e Justificativas

A escala 1/144 é um verdadeiro "lugar especial" no mundo do modelismo. Ela equilibra a necessidade de detalhe com o desafio de criar miniaturas impressionantemente pequenas, sendo a escolha perfeita para quem ama aviões grandes (como os Boeing 747), mas não tem uma sala inteira para guardá-los.

Surgiu da necessidade prática de miniaturizar aviões muito grandes (os jatos comerciais) de forma econômica, aproveitando uma relação matemática conveniente do sistema imperial (1 polegada : 12 pés) que já era familiar aos projetistas da época.

Esta escala não nasce por acaso. Sua origem é uma história prática de como a indústria do plastimodelismo resolveu um problema físico: o tamanho excessivo dos modelos de aviões a jato.

Antes da era dos jatos, a escala padrão para modelos de aeronaves era a 1/72. Um caça da Segunda Guerra Mundial, como um Spitfire (9,9m de comprimento real), virava um modelo de cerca de 13,7cm. Era um tamanho perfeito para a bancada.

No entanto, no final dos anos 1960, surgiram os gigantescos aviões comerciais, como o Boeing 747. Um 747 real tem cerca de 70 metros de comprimento. Se um fabricante tentasse lançar um modelo de 747 na escala 1/72, o resultado seria um monstro de plástico com quase 1 metro de comprimento (97cm). Isso era inviável: caro para produzir, difícil de vender e impossível de guardar para a maioria dos consumidores.

A indústria, liderada por marcas como a britânica Airfix, precisava de uma escala que fosse exatamente a metade da 1/72 para reduzir os custos e o espaço. Metade de 1/72 é 1/144. Assim, o mesmo Boeing 747, que teria 97cm na 1/72, passou a ter 48,5cm na 1/144. Ainda era um modelo grande, mas cabia em uma prateleira e custava muito menos para produzir.

Porém, a escolha do número "144" não foi aleatória. Ela está profundamente ligada ao sistema imperial de medidas (polegadas e pés), muito usado nos países que popularizaram o modelismo, como Reino Unido e Estados Unidos (12 x 12 = 144). A conta é elegante: 1 pé equivale a 12 polegadas. 

Se você pegar um objeto real de 12 pés de comprimento e dividir por 144, ele terá 1 polegada no modelo. Em outras palavras, 1 polegada no modelo equivale a 12 pés (ou 144 polegadas) na vida real.

Essa relação redonda facilitava absurdamente os cálculos para engenheiros, projetistas de kits e até para os modelistas mais aficionados por números. Não havia frações complicadas; a conversão era direta.

Há ainda uma curiosidade geométrica: 144 é o quadrado de 12 (12 x 12 = 144). A escala 1/12 é clássica para casas de boneca (onde uma boneca de 15cm representa uma pessoa de 1,80m). Portanto, a escala 1/144 nada mais é do que a escala para fazer uma maquete de uma casa de boneca que será colocada dentro de uma casa de boneca em 1/12. É a "casa da boneca da boneca", um conceito que fascina os arquitetos e marceneiros em miniatura.


Escala 1/144 no papel modelismo


A escala 1/144 também ocupa um lugar de destaque no modelismo em papel, embora por razões ligeiramente diferentes das que envolvem os kits de plástico ou resina. Enquanto no plástico essa escala surgiu como uma solução prática para lidar com o tamanho excessivo dos grandes aviões comerciais como o Boeing 747, no papel ela se tornou popular principalmente por uma questão de economia e acessibilidade. 

Como os modelos de papel são impressos em folhas comuns, montar um avião em 1/144 permite que o modelista tenha uma coleção vasta e variada sem ocupar um metro quadrado inteiro de estante, sendo ideal para quem gosta de formar esquadrilhas completas ou frotas históricas. Além disso, a oferta de modelos em papel nessa escala é imensa, muitas vezes preenchendo lacunas que a indústria do plástico ignora; você encontra desde aeronaves comerciais regionais até protótipos experimentais e naves de ficção científica que simplesmente não existem em plástico 1/144. 

Outra vantagem exclusiva do papel é a capacidade de redimensionamento: se você encontrar um arquivo digital em escala 1/100 ou 1/72, pode facilmente mandar imprimir reduzido para 1/144 sem perder qualidade, o que abre um leque praticamente infinito de possibilidades. 


Mil Mi-4 "Hound" nas cores da Marinha da Indonésia - Modelo de Arbuz Modelbow na escala 1/144, impresso em papel 125 gramas, construído por José Antônio Rodrigues (TigerTony100)


No entanto, montar papel nessa escala exige cuidados especiais, principalmente na escolha do papel. Para aviões pequenos de 1/144, o papel muito grosso é um inimigo, pois as dobras se tornam grossas e trincam, então a recomendação dos modelistas experientes é usar gramaturas entre 75g/m² e 90g/m², algo como um sulfite ou offset de qualidade comum, fugindo dos papéis fotográficos e dos cartões pesados. 

O acabamento também demanda paciência, já que as abas de colagem podem ter apenas dois ou três milímetros de largura, exigindo estilete bem afiado, uma lupa de bancada e uma cola branca aplicada com ponta de palito.

Uma curiosidade interessante é que, assim como no plástico, a escala 1/144 no papel é compatível com o ferromodelismo em escala N (1/148 a 1/160), permitindo que os aviões de papel pousem em aeroportos miniatura ao lado de trens e cenários comerciais. Outro ponto fascinante é que, como o papel já vem colorido de fábrica, não há necessidade de pintura, o que elimina um dos grandes desafios do plástico nessa escala minúscula — a aplicação de detalhes com pincel fino. 


Hughes 500D de Arbuz Modelbow na escala 1/144 modelo construído por José Antônio Rodrigues (TigerTony100)


Por fim, para quem deseja começar, a dica é buscar arquivos em formato PDF ou PDO em sites especializados, começando com modelos simples como pequenos caças ou helicópteros antes de enfrentar um Boeing 747, pois o domínio das dobras curvas em escala reduzida exige prática.


Por que 1/144 funciona tão bem no papel?


A escala 1/144 é particularmente popular entre os modelistas de papel por algumas razões práticas:

  • Espaço e coleções: Um modelo em 1/144 é pequeno o suficiente para que você possa colecionar dezenas deles em uma única prateleira. Isso é perfeito para quem gosta de montar frotas inteiras de aviões, navios ou veículos militares .
  • Acesso a temas raros: No plástico, certas aeronaves ou veículos simplesmente não existem em 1/144 ou são muito difíceis de encontrar. No papel, você encontra virtualmente qualquer modelo — desde warbirds da Segunda Guerra até aeronaves mais obscuras — e pode até redimensionar arquivos de outras escalas (como 1/100 para 1/144) com facilidade .
  • Compatibilidade: A escala 1/144 é muito próxima da escala N de ferromodelismo (1/148 a 1/160). Isso significa que você pode combinar seus modelos de papel com trens, cenários e acessórios comerciais prontos.

Minha idéia e realizar uma coleção nesta escala, os primeiros modelos tem um caráter experimental testando gramatura e técnicas específicas, inicialmente apenas aeronaves de todos os tipos tamanhos e épocas, como acontece com a escala 1/200, é um projeto ocasional. A minha escala de trabalho regular é a escala 1/100 que considero perfeita em termos de tamanho para uma coleção;

O primeiro projeto a ser considerado nesta escala é o Ansaldo SVA-5 de Paperdiorama que já foi reescalado e impresso, espero em breve poder iniciá-lo, enquanto isso vamos investigando o tema.



terça-feira, 26 de maio de 2026

Breguet XIX TF "Point d'Interrogation" - Modelo Le Criquet escala 1/100

Breguet XIX: um Avião Versátil e uma Lenda na História da Aviação

O Breguet XIX foi um avião militar francês do período entre guerras, que voou pela primeira vez em março de 1922 e entrou em serviço em 1924. Projetado como bombardeiro leve e avião de reconhecimento, ele era um sesquiplano inovador, ou seja, sua asa inferior era bem menor que a superior, e sua estrutura utilizava duralumínio, uma liga de alumínio que o tornava mais leve e rápido que muitos concorrentes da época. Tripulado por piloto e observador ou artilheiro, podia carregar duas metralhadoras e até 472 quilos de bombas. O Breguet XIX se tornou a espinha dorsal da Força Aérea Francesa e foi utilizado por diversos outros países, como Grécia, Bélgica, Iugoslávia e Espanha durante os anos 1930, mas na Segunda Guerra Mundial já estava obsoleto e foi retirado das linhas de frente por ser muito vulnerável. Uma de suas versões mais famosas, o Breguet XIX TF Super Bidon chamado "Point d'Interrogation" (Ponto de Interrogação), realizou a primeira travessia aérea de Paris a Nova York no sentido leste-oeste em 1930, um marco histórico da aviação.



O Breguet XIX foi um projeto notavelmente versátil, com inúmeras versões modificadas que o adaptaram desde bombardeiro e caça noturno a recordista de longa distância e até mesmo a ambulância aérea. Essa capacidade de evolução constante, especialmente no que diz respeito aos seus motores, foi a chave para sua longevidade e sucesso internacional, com cerca de 2.700 unidades produzidas entre 1924 e 1933 .

Versões de Recordes e Longa Distância (Grand Raid)

O Breguet XIX ganhou fama mundial ao ser transformado em uma plataforma para voos de longa distância. Essas versões, conhecidas como "Grand Raid", foram modificadas para carregar quantidades imensas de combustível, muitas vezes sacrificando o armamento para reduzir o peso.



  • Br.19 GR (Grand Raid): Desenvolvida a partir de 1926, esta foi a base para muitos recordes. Apenas três unidades foram convertidas, recebendo tanques de combustível com capacidade total de 2.850 litros e asas de maior envergadura .

  • Br.19 TR Bidon: Uma evolução com tanques ("bidon" significa tanque em francês) ainda maiores, preparando o terreno para as travessias oceânicas .
  • Br.19 TF Super Bidon "Point d'Interrogation" : A versão mais lendária, imortalizada por Costes e Bellonte. Com tanque de 5.370 litros, foi a responsável pela primeira travessia aérea de Paris a Nova York contra os ventos predominantes em setembro de 1930 . O avião pintado de vermelho media 10,71 m de comprimento e tinha envergadura de 18,30 m .
  • Br.19 GR "Nungesser et Coli": Outro avião histórico, utilizado por Costes e Le Brix em uma circunavegação de 57.147 km entre outubro de 1927 e abril de 1928, cruzando o Atlântico Sul .




Breguet XIXTF Super Bidon e o Heroico Vôo Paris - Nova York em 1930

A história do Breguet XIX "Point d'Interrogation" é a história de um dos voos mais ousados e importantes da história da aviação. Este avião não era uma máquina de guerra comum, mas uma versão especialmente modificada para quebrar recordes e, principalmente, para realizar a primeira travessia aérea sem escalas do Atlântico Norte no sentido mais difícil: de Paris a Nova York, voando contra os ventos predominantes de oeste .



O "Point d'Interrogation", cujo nome significa "Ponto de Interrogação" em francês, era um Breguet XIX TF "Super Bidon" (Super Tanque), uma versão radical do bombardeiro Breguet XIX . Para atingir o objetivo de uma viagem transatlântica, a aeronave passou por profundas modificações: sua envergadura e fuselagem foram aumentadas, e sua capacidade de combustível foi maximizada para impressionantes 5.370 litros, o que lhe permitia voar por mais de 37 horas seguidas . Era equipado com um motor Hispano-Suiza de 650 cavalos e pintado de vermelho vibrante, uma escolha deliberada para ser mais facilmente avistado em caso de um pouso forçado no oceano .




A dupla por trás dessa aventura era formada pelo piloto Dieudonné Costes e pelo navegador e mecânico Maurice Bellonte, uma dupla experiente que já havia acumulado milhares de horas de voo juntos . Antes da grande travessia, eles usaram o mesmo avião para provar seu potencial, quebrando o recorde mundial de distância em setembro de 1929 ao voar de Paris a Tsitsihar, na Manchúria, percorrendo 7.905 quilômetros .




A travessia histórica aconteceu nos dias 1 e 2 de setembro de 1930. Após cuidadosa preparação e espera por condições climáticas favoráveis, Costes e Bellonte decolaram do aeroporto de Le Bourget, em Paris, às 10h54 do dia 1º . Durante as mais de 37 horas de voo, eles enfrentaram nevoeiro, tempestades e ventos contrários, com Bellonte anotando meticulosamente a rota em um "rolle-notes" (um longo rolo de tecido), enquanto Costes lutava para manter o controle da pesada aeronave . Após uma jornada árdua, o "Point d'Interrogation" finalmente avistou a costa americana e pousou em Curtiss Field, Nova York, à meia-noite do dia 2 de setembro (horário local), completando o trajeto em 37 horas e 18 minutos .




A aterrissagem foi recebida com euforia. Uma multidão de cerca de 25 mil pessoas estava presente para recepcionar os dois aviadores franceses . Entre elas, uma figura de destaque: o lendário aviador americano Charles Lindbergh, que foi o primeiro a se adiantar para parabenizá-los . O feito rendeu a Costes e Bellonte uma recepção triunfal nos Estados Unidos, incluindo uma "ticker-tape parade" em Nova York e um encontro com o presidente Herbert Hoover em Washington. A identidade do misterioso patrocinador, cujo símbolo era um "?" e deu nome ao avião, só foi revelada depois como sendo o famoso perfumista François Coty, mas o apelido lendário permaneceu .




Após uma turnê de boa vontade pelos Estados Unidos, o avião foi doado ao Museu do Ar e do Espaço de Paris-Le Bourget em 1938, onde permanece em exibição até hoje após uma cuidadosa restauração, imortalizado como um dos maiores ícones da idade de ouro da aviação.




Fotos do Modelo Finalizado




Magnífico modelo realizado por Le Criquet na escala 1/100 que pode ser realizado o download gratuitamente aqui, e que recomendo para todos os amantes da era dourada da aviação.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Construção do Breguet XIXTR/TF na Escala 1/100 - Um modelo Le Criquet - Work in Progress

Recentemente finalizei mais um Breguet XIX para a minha já coleção bastante extensa deste modelo em especial.

A versão TR desenvolvida para um raide transatlântico difere bastante das versões militares por uma asa diferente e fuselagem para levar grande capacidade de combustível.

O modelo do meu amigo Le Criquet na escala 1/100 é um  modelo soberbo no bom sentido da palavra, com texturas maravilhosas, montagem otimizada priorizando precisão e simplicidade, mas mantendo fielmente as formas do modelo. 

O que posso dizer é que apesar deste modelo ter estado em um período longo na minha bancada é que fiquei muito satisfeito com os resultados finais, tendo um destaque na minha coleção.

Deixo abaixo um álbum do processo de construção do mesmo.


Fotos da Construção do Modelo:


Um modelo que inacreditavelmente é gratuito e pode ser baixado no site do meu amigo Le Criquet aqui: AILES FRANCAISE ANNES TRENTE

Ficha Técnica do Projeto:

Nome: Breguet XIXTR/TF
Editor: Le Criquet;
Escala Original: 1/100;
Número de Páginas: 6 (1 de fotos de referencia, 4 de histórico e 1 de peças);
Quantidade de Peças: 63 (incluindo formers de fuselagem, e butt straps)
Papeis utilizados: Opaline 120 gsm (peças gerais) Papel Cartão 320 gsm para os formers; 
Impressora: Epson L120 Bulk Ink
Observações: Um modelo preciso, delicioso de  ser construído que merece toda a nossa atenção e saudação ao designer de ter projetado esse modelo incrível.