Aviação Militar Brasileira


A história da aviação militar brasileira é uma fascinante jornada que começa ainda no século XIX, muito antes da invenção do avião propriamente dito, e se estende até os dias atuais, posicionando o Brasil como uma potência aeronáutica reconhecida mundialmente. Para entender essa trajetória, é preciso voltar ao ano de 1867, durante a Guerra do Paraguai, quando, em 24 de junho, foram utilizados balões de observação para reconhecimento de tropas inimigas. Esse episódio, embora primitivo, é considerado o marco zero da aviação militar no país e na América Latina, demonstrando que a necessidade de vigiar o campo de batalha a partir do alto já era uma realidade para os comandantes brasileiros.


O salto qualitativo, porém, viria com o avanço da aviação no século XX. Em 23 de agosto de 1916, a Marinha do Brasil deu um passo decisivo ao criar a Escola de Aviação Naval, focada no uso de hidroaviões para a defesa do litoral. Pouco depois, em 10 de julho de 1919, o Exército Brasileiro fundou a Escola de Aviação Militar no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, contando com o suporte de uma missão militar francesa que trouxe não apenas aeronaves, mas também a doutrina e os primeiros instrutores. Nesse período, um feito notável foi a construção dos primeiros aviões inteiramente projetados e construídos no Brasil pelo capitão Marcos Evangelista da Costa Villela Júnior, o Aribu, em 1917, e o Alagoas, em 1918, provando que a engenharia nacional já dava seus primeiros voos, mesmo com recursos escassos.

O verdadeiro batismo de fogo da aviação militar brasileira aconteceu em solo nacional, durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Nesse conflito, as forças paulistas organizaram uma aviação improvisada para enfrentar as forças federais, que contavam com a aviação militar e naval. Em 8 de agosto de 1932, ocorreu o primeiro grande combate aéreo entre brasileiros, com pilotos de ambos os lados realizando missões de bombardeio, reconhecimento e até duelos aéreos. Essa experiência mostrou de forma inequívoca a importância estratégica do poder aéreo e a necessidade de unificar os comandos, que até então estavam divididos entre a Marinha e o Exército, cada qual com suas próprias aeronaves, doutrinas e logísticas.


Essa unificação finalmente ocorreu em 20 de janeiro de 1941, quando o presidente Getúlio Vargas assinou o decreto que criou o Ministério da Aeronáutica, reunindo todo o pessoal, material e instalações das aviações do Exército e da Marinha em uma única instituição: a Força Aérea Brasileira, ou FAB. No momento da fusão, a Marinha contribuiu com 156 oficiais, 267 praças e 99 aviões, e, em 22 de maio de 1941, a FAB era oficialmente uma realidade, pronta para um dos maiores desafios de sua história. Pouco mais de um ano depois, com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial ao lado dos Aliados, a aviação brasileira entrou em combate internacional. Em 22 de maio de 1942, um avião B-25 da FAB realizou seu primeiro ataque contra o submarino italiano Barbarigo, na costa brasileira, iniciando uma intensa campanha de patrulhamento antissubmarino no Atlântico Sul.


O momento mais heroico e emblemático, no entanto, viria com a criação do 1º Grupo de Aviação de Caça, o famoso 1º GAvCa, que ficou conhecido mundialmente pelo grito de guerra Senta a Pua!. Equipados com os robustos caças Republic P-47 Thunderbolt, os 48 pilotos brasileiros e seus cerca de 450 homens de apoio foram integrados ao 350º Grupo de Caça da Força Aérea dos Estados Unidos e enviados para a Itália. Entre outubro de 1944 e maio de 1945, esses pilotos realizaram 444 missões de guerra, incluindo apoio tático às tropas aliadas no solo, ataques a pontes e viadutos, e escolta aérea. Ao final do conflito, a FAB havia se tornado a segunda maior força aérea das Américas, com mais de 1.500 aeronaves modernas, consolidando sua reputação de coragem e eficiência em campo de batalha.


Finda a guerra, a aviação brasileira passou por uma revolução silenciosa, mas profunda, focada na tecnologia e na autonomia industrial. A chegada dos primeiros aviões a jato, como o britânico Gloster Meteor na década de 1950, inaugurou a era da alta velocidade. O passo mais estratégico, porém, foi a criação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o ITA, em 1950, que formou uma geração de engenheiros capazes de projetar e construir aeronaves no país. Esse investimento em ciência e tecnologia culminou na fundação da Embraer, em 1969, uma empresa que rapidamente se tornou uma gigante global da aviação. Para a FAB, a Embraer entregou joias como o avião de treinamento T-27 Tucano, que se tornou referência mundial em instrução de voo, e o avião de ataque leve A-29 Super Tucano, amplamente utilizado em missões de contrainsurgência e patrulhamento. Mais recentemente, a parceria entre a Embraer e a Força Aérea produziu o KC-390 Millennium, um cargueiro tático multimissão que é considerado um dos mais modernos e versáteis do mundo, realizando desde transporte de carga e tropas até reabastecimento em voo e evacuação aeromédica.



Enquanto a FAB se consolidava, a Marinha do Brasil, que havia entregue sua aviação para a unificação de 1941, iniciou um processo de reconstrução de seu poder aéreo embarcado. O grande marco dessa retomada ocorreu em 1998, com a aquisição de 20 caças de ataque A-4KU Skyhawk, usados da Força Aérea do Kuwait, que foram redesignados como AF-1. Esses jatos passaram a operar a partir do Navio-Aeródromo São Paulo, devolvendo à Marinha a capacidade estratégica de projeção de poder no mar com aeronaves de asa fixa, algo essencial para a defesa da Amazônia Azul, como é conhecida a extensa plataforma continental brasileira. Adquirido da França em 2000, o navio já tinha décadas de uso e rapidamente apresentou problemas graves, culminando em um acidente fatal em 2005. Diante dos custos proibitivos para sua modernização, a Marinha o desativou em 2018 e o vendeu para uma empresa turca em 2021 por R$ 10,5 milhões. O destino do navio, porém, tomou um rumo inesperado. Ao chegar à Turquia, o carregamento de amianto e outras substâncias tóxicas no casco fez com que o país recusasse sua entrada para reciclagem. Sem conseguir atracar em nenhum porto brasileiro, o navio vagou pelo litoral de Pernambuco até que, em fevereiro de 2023, a Marinha optou por afundá-lo no Oceano Atlântico. A operação de afundamento custou R$ 37,2 milhões aos cofres públicos, um valor três vezes maior que o arrecadado com a venda. Esse episódio marcou o fim melancólico da era dos porta-aviões no Brasil e serve como um alerta sobre os riscos de adquirir equipamentos militares obsoletos sem planejar sua manutenção e, principalmente, seu descarte final. Com isso a Marinha hoje opera uma grande frota de helicópteros, mas tem os seus meios aéreos de asa fixa cada vez mais reduzido devido ao desgaste e redução da frota de AF-1 Falcão (o Skyhawk operado pela Marinha).


Nos dias de hoje, a aviação militar brasileira está mergulhada em um ambicioso processo de modernização tecnológica que a coloca na vanguarda da América Latina. A FAB está recebendo os novos caças F-39E Gripen, fabricados pela sueca Saab em parceria com a Embraer, que substituirão gradualmente os veteranos F-5 e A-1, elevando significativamente a capacidade de defesa e soberania do espaço aéreo. Paralelamente, a Força não se limita à atmosfera; desenvolve projetos inovadores como o 14-X, um veículo hipersônico movido a propulsão por detonação, além de ter lançado foguetes e satélites próprios, como o desenvolvido pelo ITA para monitoramento da ionosfera, demonstrando que o domínio do espaço aéreo caminha lado a lado com a exploração espacial. Para equipar esses novos caças, a FAB também está adquirindo mísseis de última geração, como o europeu METEOR, de longo alcance, e o IRIS-T, para combates de curta distância. Dessa forma, a história da aviação militar brasileira, que começou com simples balões de observação em uma guerra no Paraguai, chega ao século XXI como uma força aérea integrada, tecnológica e soberana, sempre pronta para defender o país e escrever novos capítulos de sua gloriosa trajetória nos céus e além deles.



Acervo

1. North American NA-72 - Aviação do Exército - Escola de Aviação Militar - Campo dos Afonsos - Rio de Janeiro - 1940. Modelo Scissors and Planes repintado por Rata. O North American NA-72 foi uma variante de exportação desenvolvida para o Exército Brasileiro no final da década de 1930. Ele pertencia à linhagem de treinadores avançados da North American Aviation que originou o lendário T-6 Texan. O governo do Brasil encomendou 30 unidades do modelo em agosto de 1939 para modernizar a instrução militar do país. As aeronaves foram transladadas em voo dos Estados Unidos e chegaram ao Rio de Janeiro em outubro de 1940. Com a criação do Ministério da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira em 1941, os aviões remanescentes foram transferidos para a nova instituição. Na FAB, o modelo recebeu a designação oficial de ZT-6. Equipado com um motor radial Pratt & Whitney de 600 cavalos e trem de pouso retrátil, o avião se tornou fundamental na formação dos aviadores que atuaram durante a Segunda Guerra Mundial. Devido ao conflito, algumas unidades chegaram a receber metralhadoras e suportes para pequenas bombas, operando em missões secundárias de patrulha na costa brasileira contra submarinos do Eixo. O NA-72 pavimentou o caminho para a posterior adoção e fabricação sob licença do T-6 Texan em solo nacional.


2. Breguet XIXA2 - Aviação do Exército - Escola de Aviação Militar - Campo dos Afonsos - Rio de Janeiro - 1929. Modelo Scissors and Planes. O Breguet XIX (ou Breguet 19) teve uma trajetória de grande relevância no Brasil durante a década de 1920, dividida entre o serviço militar e marcas históricas da aviação global. A Aviação Militar do Exército adquiriu seis unidades do bombardeiro e avião de observação francês em 1928. Operando a partir do Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, essas aeronaves de construção metálica avançada serviram na modernização tática e na formação dos pilotos brasileiros até 1930. Além da atuação militar, o modelo ganhou destaque no país ao protagonizar grandes recordes mundiais de longo alcance. Em outubro de 1927, os franceses Dieudonné Costes e Joseph Le Brix realizaram a primeira travessia sem escalas do Atlântico Sul a bordo de um Breguet XIX, pousando em Natal, no Rio Grande do Norte. Dois anos depois, em 1929, os espanhóis Ignacio Jiménez e Francisco Iglesias voaram mais de 43 horas sem paradas entre Sevilha e a Bahia no avião "Jesús del Gran Poder", consolidando a importância do território brasileiro como ponto estratégico para os voos pioneiros da época.


3. Stearman A75L3 "Stirminha" - Aviação do Exército - Escola de Aviação Militar - Campo dos Afonsos - Rio de Janeiro - 1940. Modelo Scissors and Planes repintado por Juan Angel 747. O Stearman A75L3 (versão comercial e militar do famoso biplano americano conhecido como Kaydet ou PT-13) desempenhou um papel vital na instrução primária de pilotos no Brasil na década de 1940. Equipado com o motor radial Lycoming R-680 de 225 cavalos, o modelo começou a ser operado no país em 1940 pela Escola de Aviação Militar, servindo no início da formação de cadetes devido à sua robustez, estabilidade e excelente custo-benefício em manutenção. Com a fundação da Força Aérea Brasileira (FAB) em 1941, esses biplanos foram integrados à nova frota militar. Os exemplares receberam matrículas iniciadas com a letra "K" (que identificava os aviões da Escola de Aviação no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro) e foram fundamentais para preparar a geração de pilotos que atuou no cenário da Segunda Guerra Mundial. Retirado do serviço militar ativo por volta de 1948, o Stearman A75L3 ainda ganhou sobrevida no mercado civil brasileiro, voando por muitos anos em aeroclubes e deixando um legado afetivo na história aeronáutica nacional.


4. Nieuport 21E-1 - Aviação do Exército - Campo de Marte - São Paulo - Revolução de 1924. Modelo Scissors and Planes convertido por mim. O Nieuport 21 (especificamente na versão de treinamento Nieuport 21E-1) foi um marco na estruturação da aviação militar no Brasil logo após a Primeira Guerra Mundial. Em 1919, o governo brasileiro contratou uma Missão Militar Francesa para modernizar suas forças armadas e fundar a Escola de Aviação Militar no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro. Como parte desse esforço de instrução técnica, o Exército Brasileiro adquiriu 20 unidades deste biplano de origem francesa a partir de 1920, operando-os com as matrículas de 2101 a 2120. Embora o modelo tenha sido projetado originalmente na Europa como um caça de escolta leve e monoposto, sua motorização Le Rhône de 80 cavalos — menos potente que a do seu irmão famoso, o Nieuport 17 — fez com que ele se tornasse ideal para o treinamento avançado e acrobacias dos cadetes brasileiros. Apesar de sua função primária de instrução na escola militar, o avião chegou a ser testado em cenários reais de combate na década de 1920. Durante a Revolta de 1924 em São Paulo, exemplares do Nieuport 21 foram temporariamente armados com metralhadoras e suportes para bombas leves pela Aviação Militar governista para realizar missões de reconhecimento e ataque ao solo contra as forças rebeldes. Um exemplar histórico original sobrevivente dessa época permanece preservado e pode ser visto de perto pelo público no acervo do Museu Aeroespacial (MUSAL) no Rio de Janeiro.


5. Consolidated Model 16 Commodore - Aviação do Exército - Manaus - 1940 - Modelo Scissors and Planes repintado por Tigertony 100. O Consolidated Model 16 (comercialmente batizado de Consolidated Commodore) foi um gigante dos céus que marcou a história do transporte de longo curso no território brasileiro. Inicialmente operado no âmbito civil pela NYRBA e, posteriormente, pela Panair do Brasil, esse robusto aerobote bimotor de fabricação americana teve uma passagem curta, mas oficial, pela história bélica nacional, quando a Aviação Militar do Exército Brasileiro adquiriu e operou exatamente duas unidades do modelo entre os anos de 1940 e 1941. Com uma imponente estrutura de casco metálico similar à de um barco, asas parasol e grande autonomia, o Commodore reduzia drasticamente o isolamento geográfico do vasto litoral do país. Equipado com dois confiáveis motores Pratt & Whitney Hornet de 575 cavalos, o avião operava em uma época em que o Brasil ainda não contava com uma malha de aeródromos terrestres estruturada. A utilização desses dois exemplares pelo Exército funcionou como um vetor crucial de apoio logístico e reconhecimento estratégico, ajudando a mapear e consolidar rotas que interligavam pontos de defesa na costa. Essa experiência em patrulha e transporte pesado com grandes hidroaviões serviu como uma escola viva de navegação para os militares, pavimentando a doutrina de operação integrada que seria herdada logo em seguida pela recém-criada Força Aérea Brasileira.


6. Cessna O-1E Bird Dog - Força Aérea Brasileira - 3º ELO (Esquadrilha de Ligação e Observação) - Canoas - 1965 - Modelo Scissors and Planes. O Cessna Bird Dog (designado militarmente como L-19 ou O-1) foi uma das aeronaves de ligação e observação mais eficientes da história militar mundial, deixando também a sua marca na Força Aérea Brasileira. Desenvolvido a partir do modelo civil Cessna 170, o pequeno biplace de asa alta e construção totalmente metálica foi selecionado originalmente pelos Estados Unidos para atuar nas guerras da Coreia e do Vietnã. Sua missão principal consistia em voar baixo para localizar posições inimigas, regular o tiro de artilharia e realizar o controle aéreo avançado. No Brasil, a história desse valente monomotor começou em 1955, quando os primeiros oito exemplares da versão L-19A desembarcaram no país. Eles foram inicialmente destinados à 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação (1ª ELO), baseada no histórico Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro. Posteriormente, a frota foi reforçada com unidades da variante L-19E (Cessna 305C), recebidas por meio do Programa de Assistência Militar (PAM) com os Estados Unidos. Na FAB, o "Perdigueiro" — como ficou conhecido popularmente devido à sua aptidão para "caçar" alvos no solo — provou ser uma plataforma extremamente robusta, confiável e versátil. Operando em pistas de terra não preparadas e no apoio direto a forças de superfície, o Bird Dog serviu na FAB até a década de 1970. Ele consolidou uma doutrina essencial de cooperação e reconhecimento tático antes de ser substituído por vetores mais modernos. Um exemplar original da versão L-19E permanece preservado e pode ser admirado de perto pelos entusiastas no acervo do Museu Aeroespacial (MUSAL), servindo como testemunha de uma era romântica e estratégica da aviação militar nacional.


7. Lockheed SC-130E Hercules - Força Aérea Brasileira - 1⁰/1⁰ GT (Esquadrão Gordo) - Galeão - Rio de Janeiro - 1996 - Modelo Scissors and Planes. O Lockheed C-130 Hercules foi a espinha dorsal da aviação de transporte pesado no Brasil por quase seis décadas, consolidando-se como um dos aviões mais icônicos da história da Força Aérea Brasileira (FAB). Batizado militarmente como C-130 (e carinhosamente chamado de "Gordo"), o quadrimotor turboélice americano chegou ao país em 1964. Ele revolucionou a capacidade logística do Brasil graças à sua robustez, capacidade de pousar em pistas curtas ou não preparadas e rampa traseira para cargas pesadas. Operado principalmente pelo 1º Esquadrão do 1º Grupo de Transporte (1º/1º GT) na Base Aérea do Galeão, o Hercules desempenhou missões de extrema importância nacional e internacional. A frota realizou missões de busca e salvamento (SAR), transporte de tropas, ajuda humanitária e o vital apoio logístico ao Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), pousando no gelo com esquis. Na década de 1970, a FAB recebeu versões atualizadas e introduziu o KC-130H, versão capaz de realizar o reabastecimento em voo (REVO) de caças como o F-5 e o A-1 AMX, multiplicando o alcance estratégico da defesa aérea nacional. Após 59 anos de serviços ininterruptos e mais de 370 mil horas de voo, a FAB aposentou oficialmente seus últimos C-130 Hercules em uma cerimônia histórica na Base Aérea do Galeão. O lendário quadrimotor passou o bastão definitivamente para o seu sucessor moderno e de fabricação nacional, o Embraer KC-390 Millennium. Para manter viva a memória dessa lenda, o último exemplar operacional (matrícula FAB 2476) foi preservado e integrado ao acervo do Museu Aeroespacial (MUSAL) no Rio de Janeiro, onde pode ser visitado pelo público.


8. Breguet XIVB2 - Brigada Militar do Rio Grande do Sul - Várzea do Gravataí - Porto Alegre - 2ª Revolução Federalista - 1923 - Modelo Scissors and Planes. O Breguet 14 teve um papel pioneiro e histórico no Rio Grande do Sul ao inaugurar oficialmente a aviação na Brigada Militar na década de 1920. Adquiridos de segunda mão na Argentina pelo governo estadual, dois exemplares do biplano francês de 300 hp receberam as matrículas BM-1 e BM-2. O serviço de aviação da força foi regulamentado em 28 de maio de 1923, operando em uma pista na Várzea do Gravataí — exatamente no terreno que hoje abriga o Aeroporto Internacional Salgado Filho e a sede do atual Batalhão de Aviação da BM. Os primeiros voos experimentais sobre Porto Alegre ocorreram em 30 de maio de 1923, pilotados pelo Alferes Noêmio Ferraz, considerado o primeiro piloto da corporação. Configurados originalmente para missões de bombardeio e reconhecimento da Primeira Guerra Mundial, os aviões foram preparados para o contexto da Revolução de 1923. Eles receberam fuzis e pequenas bombas de fabricação própria projetadas para causar efeito moral e dispersar a cavalaria adversária. Embora a escassez de registros e um incêndio nos arquivos na década de 1990 tenham apagado detalhes sobre o destino final das células, o uso do Breguet 14 consolidou a semente do policiamento aéreo e do suporte governamental por asas rotativas e fixas no estado.


9. Breguet XIXGR "Margarida" Aviação do Exército - 1930 - Modelo Scissors and Planes, convertido e repintado por Rata. O Breguet XIX GR (Grand Raid), batizado carinhosamente de "Margarida", protagonizou uma das histórias mais curiosas e dramáticas da aviação brasileira, unindo a ambição de um grande pioneiro civil aos tumultuados bastidores da Revolução de 1930. A aeronave foi adquirida de forma particular pelo célebre piloto paulista João Ribeiro de Barros — o lendário comandante que havia liderado a histórica travessia do Atlântico de 1927 a bordo do hidroavião Jahú. Incansável e obstinado por novas marcas mundiais, Barros comprou a versão modificada do biplano francês (também conhecida como "Breguet Bidon" devido aos imensos tanques extras de combustível) com um objetivo audacioso em mente: realizar um novo reide pioneiro de longo alcance, decolando do Rio de Janeiro diretamente para Lisboa, em Portugal. Os planos do aviador foram interrompidos pela eclosão da crise econômica mundial e pelo início da Revolução de 1930. O avião, que estava pronto para o desafio, acabou confiscado pelas forças revolucionárias antes mesmo de tentar o recorde. Incorporado às pressas à Aviação Militar do Exército Brasileiro para servir em missões de transporte tático e ligação, o "Margarida" teve uma carreira militar curta e trágica: a aeronave acabou perdida de forma definitiva em um acidente operacional, que felizmente não deixou vítimas, encerrando precocemente a trajetória desse exemplar no país.


10. Sikorsky SH-34J(HSS-1) Sea Horse - Marinha do Brasil -  1º Esquadrão de Helicópteros Antissubmarino (HS-1) - Navio-Aeródromo Ligeiro Minas Gerais - 1969 - Modelo Scissors and Planes. O Sikorsky S-58 (conhecido mundialmente pelas designações militares H-34 Choctaw ou Seahorse) foi um dos helicópteros mais robustos e marcantes a operar nas Forças Armadas brasileiras. Evolução direta do pioneiro S-55, o modelo se destacava pelo desenho imponente, pelo motor radial Wright R-1820 de 1.525 cavalos instalado no nariz e pela capacidade de transportar até 16 soldados equipados, operando de forma marcante tanto na Força Aérea Brasileira quanto na Marinha do Brasil a partir da década de 1960. Na FAB, a aeronave foi designada oficialmente como H-34 e operou a partir de 1962 no 2º Esquadrão do 10º Grupo de Aviação (2º/10º GAV), baseado em Cumbica (SP). Ele substituiu os antigos S-55 nas complexas missões de Busca e Salvamento (SAR) e transporte utilitário por todo o território nacional. Paralelamente, a Marinha do Brasil adquiriu unidades da versão antissubmarino (designados como SH-34J), que foram integrados ao 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1) e ao 1º Esquadrão de Helicópteros Antissubmarino (HS-1). Esses helicópteros operaram embarcados no Navio-Aeródromo Ligeiro Minas Gerais, sendo pioneiros na caça a submarinos e na consolidação da aviação embarcada da Armada. A família S-58 voou no Brasil até o início da década de 1970, quando foi substituída pelo lendário Bell UH-1H Iroquois na FAB e pelo Sikorsky SH-3 Sea King na Marinha.


11. Cessna T-37 Tweet - Força Aérea Brasileira - Academia da Força Aérea - Pirassununga - 1973 - Stahlhart Papercraft. O Cessna T-37 Tweet desempenhou um papel curto, porém marcante, no treinamento de pilotos da Força Aérea Brasileira no final da década de 1960. O Brasil adquiriu 65 unidades da versão T-37C, equipada com tanques nas pontas das asas e suportes sob as asas para cargas leves, com o objetivo de modernizar a instrução avançada de seus cadetes após a aposentadoria dos antigos biplanos Focke-Wulf e dos jatos T-33. As aeronaves foram integradas à frota militar a partir de 1967 na Academia da Força Aérea (AFA), que na época ainda funcionava no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro.Equipado com dois motores turbojato Continental J69, o carinhosamente apelidado "Tweet" apresentava uma configuração de assentos lado a lado, o que permitia ao instrutor acompanhar de perto cada movimento e reação do aluno. Apesar de ser uma plataforma de voo dócil e eficiente, o modelo teve uma vida operacional breve no país. Os altos custos de manutenção gerados pela crise mundial do petróleo na década de 1970 e a necessidade crônica de peças de reposição importadas fizeram com que a FAB desativasse o modelo precocemente em 1978. Essa saída de cena abriu espaço para o surgimento do projeto nacional da Embraer que daria origem ao lendário T-27 Tucano. Hoje, exemplares históricos preservados do T-37C podem ser apreciados de perto pelo público no acervo do Museu Aeroespacial (MUSAL) e em exposição estática na própria Academia da Força Aérea, em Pirassununga (SP).


12. Helibrás UH-12 Esquilo - Marinha do Brasil -  1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1) - São Pedro da Aldeia - 2001 - Modelo Murph's Models. O Esquilo é o helicóptero mais longevo e versátil da história recente da Aviação Naval, consagrando a Marinha do Brasil como a primeira operadora militar desse modelo no país, desde 1979. Fabricado nacionalmente pela Helibras, a força adotou duas versões principais: o UH-12 Esquilo Monoturbina (baseado no HB-350B/BA) e o UH-13 Esquilo Biturbina (baseado no HB-355). Conhecido internamente pelo apelido de "Tudão" devido à sua capacidade multifuncional, ele opera a partir de praticamente todos os conveses de voo dos navios da esquadra, incluindo o Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico.Ao longo de décadas, as versões armadas do UH-12 receberam metralhadoras laterais FN MAG 7,62 mm e lançadores de foguetes SBAT-70, atuando diretamente no apoio de fogo ao Corpo de Fuzileiros Navais. Por sua vez, o biturbina UH-13 destacou-se por anos na desafiadora Operação Antártica (OPERANTAR) a bordo de navios polares, devido à segurança extra de seus dois motores. Em uma importante modernização, a frota de treinamento está sendo atualizada por meio do programa TH-X, que introduz os novos e tecnológicos helicópteros H125 Esquilo (designados IH-18) no 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução, garantindo a formação de ponta para as novas gerações de aviadores navais.


13. Focke Wulf FW-44J "Pintasilgo" - Marinha do Brasil - Ilha do Governador - 1938 - Modelo  Murphs Models. O Focke-Wulf Fw 44 Stieglitz marcou um dos capítulos mais importantes da indústria aeronáutica nacional, tornando-se o primeiro avião produzido em série no Brasil. Conhecido na Alemanha como Stieglitz ("Pintassilgo"), este carismático biplano de instrução primária e acrobacia foi adotado pela Aviação Naval da Marinha do Brasil na segunda metade da década de 1930. Para substituir os antigos Tiger Moth, o governo de Getúlio Vargas fechou um acordo com a fabricante alemã para a montagem e posterior fabricação sob licença do modelo no Rio de Janeiro. A produção ocorreu nas Oficinas Gerais da Aviação Naval — que logo foram rebatizadas como a icônica Fábrica de Aviões do Galeão, na Ilha do Governador. Cerca de 40 unidades da variante Fw 44J foram construídas localmente a partir de 1937, recebendo na Marinha a designação oficial de 1 AvN (Primeiro modelo da Aviação Naval) e o nome oficial de Pintassilgo. Equipado com o motor radial Siemens Sh 14A de 150 cavalos, o pequeno avião de duplo comando era adorado pelos pilotos por sua docilidade, robustez e agilidade em manobras acrobáticas. Em 1941, com a criação do Ministério da Aeronáutica, todas as aeronaves remanescentes e a própria estrutura da fábrica foram absorvidas pela recém-fundada Força Aérea Brasileira, onde o modelo foi redesignado como 1 FG (Fábrica do Galeão) e continuou instruindo os novos cadetes por mais alguns anos.



14. Fouga CM-170-2 Super  Magister - Força Aérea Brasileira - 1º Esquadrão de Demonstração Aérea "Esquadrilha da Fumaça" - Academia da Força Aérea - Pirassununga - 1969 - Modelo Murphs Models. A Esquadrilha da Fumaça é famosa por utilizar aviões turboélices Tucano e Super Tucano, mas o final da década de 1960 reservou um capítulo único em sua história: a era dos jatos puros. Entre 1969 e 1972, o esquadrão operou o francês Fouga CM-170-2 Super Magister (designado na FAB como T-24), uma aeronave que unia alta performance e um design revolucionário. Com sua exótica cauda em "V" (estilo borboleta) e o som agudo de seus dois motores turbojatos, o Fouga Magister modernizou as apresentações e foi o responsável por introduzir a fumaça colorida nos céus do Brasil. Apesar do sucesso de público em cerca de 46 demonstrações, a passagem do jato foi curta devido à realidade da infraestrutura nacional na época. O T-24 exigia pistas longas e asfaltadas para pousos e decolagens, o que impedia apresentações nas pistas de terra e grama das cidades do interior. Além disso, o alto consumo de combustível limitava sua autonomia em um país de dimensões continentais.Por conta desses desafios logísticos, o Fouga foi aposentado precocemente em 1972, e a Esquadrilha da Fumça deixou de operar por alguns anos até a introdução do T-2 Tucano. Hoje, essa lenda da aviação nacional permanece viva apenas como peça de exposição no Museu Aeroespacial (MUSAL) e na Academia da Força Aérea (AFA).




15. Lockheed AT-33 "T-Bird" - Força Aérea Brasileira - 1º/14º GAv. "Esquadrão Pampa" - Base Aérea de Canoas - 1967 - Modelo DGA. O Lockheed T-33 Shooting Star (popularmente chamado no Brasil de "T-Bird" ou "T-Meia-Três") foi o principal responsável por consolidar a Força Aérea Brasileira na era do jato a partir de 1956. Derivado direta e elegantemente do caça F-80, este instrutor avançado biposto ofereceu aos pilotos brasileiros a transição tecnológica necessária para operar aeronaves de alta performance e velocidade subsônica. A FAB operou dezenas de unidades do modelo ao longo de quase duas décadas, distribuindo-as estrategicamente em bases como Fortaleza e Santa Cruz para missões de treinamento de caça, reconhecimento fotográfico e ataque ao solo. Sua operação exigiu uma modernização profunda na infraestrutura das bases aéreas nacionais, que precisaram se adaptar a pistas pavimentadas mais longas e novos sistemas de abastecimento. Reconhecido por sua robustez mecânica, estabilidade em voo e tanques de combustível fixados nas pontas das asas, o T-33 encerrou suas atividades na linha de frente em 1975, deixando um legado pioneiro que preparou o caminho para a chegada dos caças supersônicos no país.



16. Vultee V11GB "Vultizão" - Aviação do Exército - Base Aérea de Santa Cruz - 1939. Modelo Carlos Liberatto. O Vultee V-11GB2 (apelidado carinhosamente de "Vultizão") foi um bombardeiro leve de ataque e reconhecimento que desempenhou um papel crucial na transição tecnológica das forças armadas brasileiras no final da década de 1930. Adquirido originalmente em 1938 pelo governo brasileiro, o lote inicial de 25 aeronaves foi integrado à Aviação Militar do Exército Brasileiro a partir de maio de 1939. Com a criação da Força Aérea Brasileira (FAB) em 1941, esses aviões foram transferidos e unificados sob a nova arma, operando intensamente durante os anos seguintes. Derivado de um avião comercial monomotor, o V-11GB2 era uma aeronave moderna para a sua época, construída inteiramente em metal (estrutura monocoque), com trem de pouso retrátil e cabine fechada. O modelo contava com uma tripulação de três homens: piloto, rádio-operador/atirador dorsal e um bombardeador/atirador ventral que operava deitado no fundo da fuselagem. Equipado com um potente motor radial Wright Cyclone (e posteriormente Pratt & Whitney), ele ostentava um poder de fogo respeitável, carregando até 1.680 kg de bombas e armado com metralhadoras nas asas e em posições defensivas. Durante a Segunda Guerra Mundial, o "Vultizão" assumiu missões reais de patrulha antissubmarino no litoral nacional para proteger comboios aliados. Em 26 de agosto de 1942, um V-11GB2 realizou um histórico ataque contra um submarino alemão (U-boat) na costa de Araranguá, em Santa Catarina, lançando três bombas de 250 libras. Apesar de sua importância estratégica inicial, o desgaste operacional e a chegada de bimotores americanos mais avançados aceleraram sua obsolescência, levando à sua desativação definitiva em 1946.




17. North American NA-46 - Marinha do Brasil - Base Aérea do Galeão - 1940. Modelo Murphs Models - O North American NA-46 (designação militar americana equivalente ao BT-9C) foi uma das aeronaves pioneiras que marcou a transição do Brasil para a era dos treinadores metálicos modernos no fim da década de 1930. Adquirido originalmente pela Aviação Naval da Marinha do Brasil em 1939, o lote de 12 aeronaves recebeu localmente a designação V1NA. Elas operaram na formação avançada de pilotos na Ilha do Governador até 1941, ano em que foram integralmente transferidas para a recém-criada Força Aérea Brasileira (FAB). Apelidado carinhosamente pelos aviadores de "NA Perna Dura" por possuir um trem de pouso fixo e carenado, o modelo ostentava uma estrutura robusta com fuselagem em tubos de aço e asas metálicas, sendo movido por um motor radial Wright Whirlwind de 400 HP. Apesar de sua função primária voltada à instrução de voo, o NA-46 possuía capacidade de combate secundária, equipado com metralhadoras Browning .30 (sincronizada com a hélice e em posição dorsal móvel) e suportes para pequenas bombas sob as asas. O avião desempenhou um papel técnico crucial ao preparar as tripulações nacionais para plataformas mais velozes e complexas, servindo de base doutrinária antes da chegada massiva dos célebres bimotores Hudson, B-25 e A-20 e do lendário T-6 Texan durante a Segunda Guerra Mundial.



19. Boeing Model 256 - Marinha do Brasil - Base Aérea do Galeão - 1936 - Modelo Der Kampfflieger - O Boeing Model 256 foi um caça biplano norte-americano que marcou a introdução de interceptadores de alto desempenho e de construção mista no Brasil no início da década de 1930. Desenvolvido como uma variante de exportação do célebre caça embarcado F4B-4 da Marinha dos EUA, o modelo foi adquirido pelo governo brasileiro em 1932 em um lote de 14 unidades que acabou dividido estrategicamente entre a Aviação Militar do Exército e a Aviação Naval da Marinha. Na Marinha, onde recebeu a designação de C1B, o caça operava com asas de madeira, fuselagem metálica semi-monocoque e um potente motor radial Pratt & Whitney Wasp de 500 HP que lhe garantia velocidade e manobrabilidade excepcionais para o período, além de vir armado com duas metralhadoras sincronizadas com a hélice e suportes para pequenas bombas. O grande destaque operacional do modelo ocorreu com a fundação da pioneira "Esquadrilha Boeing", que realizava apresentações acrobáticas coordenadas de alta precisão e encantava o público na época. Com a criação da Força Aérea Brasileira em 1941, os exemplares remanescentes foram integrados à nova arma para servir na transição doutrinária da aviação de caça antes de sua aposentadoria definitiva.




20. Focke-Wulf FW 58B-2 Weihe  - Marinha do Brasil - Base Aérea do Galeão - 1940 - Modelo Carlos Liberatto.  O Focke-Wulf Fw 58 "Weihe" desempenhou um papel fundamental na consolidação da aviação militar e da indústria aeroespacial brasileira a partir de julho de 1937, data em que os primeiros exemplares importados da Alemanha desembarcaram desmontados para a Aviação Naval da Marinha do Brasil. O bimotor, célebre por sua versatilidade e docilidade de comandos, não operou apenas como uma avançada plataforma de transição para pilotos, mas também inaugurou uma era pioneira de fabricação nacional ao ter 25 unidades montadas sob licença nas oficinas da Fábrica de Aviões do Galeão, no Rio de Janeiro. Esse esforço de produção envolveu engenharia reversa e forte nacionalização, culminando no uso de madeiras nativas e na substituição das hélices originais por modelos de freixo desenvolvidos pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo. Equipado com dois confiáveis motores Argus As 10C de 240 cavalos e armado com metralhadoras Madsen de 7 mm, o modelo garantiu autonomia para missões complexas em um período de forte transição geopolítica. Em 1941, com a fusão das aviações da Marinha e do Exército que deu origem à Força Aérea Brasileira, a frota de Fw 58 foi transferida para a nova arma e assumiu uma ironia histórica marcante: o avião projetado pelo engenheiro alemão Kurt Tank passou a voar sob os céus do Atlântico Sul em missões reais de patrulha antissubmarino, caçando os temidos U-boats alemães e italianos que ameaçavam a costa nacional na Segunda Guerra Mundial. Além do esforço de guerra, a aeronave estendeu seu legado integrando as primeiras rotas de integração nacional do Correio Aéreo Nacional e operando como ambulância aérea até sua aposentadoria definitiva no final da década de 1940. Atualmente, o Brasil preserva uma relíquia militar única no planeta, pois o único exemplar remanescente e totalmente restaurado do Fw 58 Weihe no mundo sobrevive em exposição contínua no Museu Aeroespacial, após um minucioso trabalho de recuperação histórica que resgatou a memória dessa máquina emblemática.



21.  Beechcraft D17A Staggerwing - Correio Aéreo Naval/Correio Aéreo Nacional - Rio Grande - 1938 - Modelo Fiddlers Green. O Beechcraft D17A Staggerwing marcou uma importante transição tecnológica na história da Aviação Naval da Marinha do Brasil ao ser incorporado entre 1939 e 1940. O elegante biplano norte-americano, famoso por suas asas com decalagem negativa — onde a asa inferior fica posicionada à frente da superior —, tornou-se a primeira aeronave equipada com trem de pouso retrátil a operar nas forças armadas do país. Adquirido com o propósito de realizar missões rápidas de transporte de oficiais de alta patente e de estabelecer linhas de correio aéreo naval, o modelo destacava-se pela velocidade de quase 300 km/h fornecida por seu motor radial Wright de 350 HP, oferecendo uma agilidade inédita para a logística militar da época. Com a unificação das aviações militar e naval em janeiro de 1941, as unidades remanescentes da Marinha foram transferidas para a recém-criada Força Aérea Brasileira (FAB), onde continuaram a voar a serviço do Correio Aéreo Nacional (CAN) e pavimentaram o caminho para a posterior aquisição de novos lotes desse icônico modelo.



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